quinta-feira, 29 de maio de 2008

Madrid

Foi um segundo round que quase começou por nem ser. No aeroporto, pouco passava das oito da manhã, a senhora do check-in recolhe os nossos quatro B.I.s e pergunta:

"Quem é a menina.................?"

E eu, de voz sumida, a achar já ai-que-é-desta-ela-leu-ali-uma informação-qualquer-e-vem-já-aí-a-polícia-deter-me-para-interrogatório, respondi:

"Sou eu, porquê? (o 'porquê' ainda mais sumido)

"É que a menina não viaja hoje."

O B.I. caducado. Caducado há sete dias, e eu que nem tinha olhado para ele senão para dizer: "Olha eu aqui tão jovem na fotografia." Parva, parva, parva.
Melhor mesmo só outra amiga na mesma situação, e a voz da senhora do check-in novamente:

"E quem é a menina.....................? A menina também não vai viajar hoje."

B.I. também caducado. Não há sete dias mas há três - três - meses.
E de repente já não éramos quatro miúdas a caminho de Madrid para um fim-de-semana prolongado, mas duas com bilhete para Madrid e duas a fazer a maratona para ir a casa e voltar com passaporte (esse sim, só caduca em 2010, uff).
No meio disto tudo, consegui ao menos fazer algo com que sempre sonhei, que foi atirar com as malas para dentro de um táxi e pôr um ar espavorido e aflito para dizer

"Temos de ir a este sítio e voltar em trinta minutos!"
(para a próxima será o "Siga aquele carro!")

E consegui. Perante os nervos do taxista, que cobrou a bandeirada mesmo antes de chegarmos só para ganhar tempo, a atirar as moedas para cima do banco, e que se despediu de mim com um "tudo de bom" tão sentido como se eu estivesse de partida para os jogos olímpicos, consegui. Nos últimos três minutos, mas consegui. E Madrid, que quase não esteve para ser, lá se concretizou.
Por lá, foi uma cidade que não me convenceu à primeira (apesar do Prado) a tentar convencer-me desta vez: pequenos-almoços com tostadas de manteiga e doce, à espanhola; a Calle Fuencarral loja sim loja sim; as tapas da Lateral; Juan, o príncipe das Astúrias, no bar com o pior escoamento de fumo do mundo; um mocca blanco no Starbucks todos os dias; o Retiro e aquele jardim só de rosas; a t-shirt do Banksy no Rastro (e a molha que apanhámos logo a seguir); a Calle Alcala feita de trás para a frente e de frente para trás porque a nossa querida anfitriã se enganou no número da porta em cem números; e, finalmente, o regresso a Lisboa. Sem contra-relógios desta vez.

3 comentários:

Carochinha disse...

Só falta perguntar: «de quem foi esta ideia?» =)

Vespinha disse...

Passei pelo mesmo mas numa ida para Nova Iorque... O passaporte não era digital, tive de o fazer no próprio dia (felizmente era sexta-feira) e só pude viajar no dia seguinte... Paguei um extra pela viagem e perdi uma noite de hotel, mas a viagem acabou por valer tudo. :)

Anónimo disse...

Também me aconteceu algo parecido. Viagem a Londres, 2º ano do curso. Bilhete de identidade caducado há 2 meses. Hoje consigo rir de tudo mas na altura só queria desaparecer. O que eu chorei naquele dia loOL

Joana