quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Há uns tempos, uma amiga que é casada perguntava-me como estava a ser viver sozinha e se não tinha saudades de estar sentada no sofá a ver filmes com um namorado. Respondi-lhe que não, que aquilo de que eu tinha saudades era da parte antes dessa, da fase da conquista, de me pôr bonita para ir jantar fora e ficar com a boca seca da expectativa. Entretanto esses jantares vieram, uns mais giros do que outros, uns a evoluírem mais do que outros, e há uns dias dei por mim a pensar nisto das primeiras impressões e o que é que separa uma pessoa interessante em si de uma pessoa interessante para nós. Porque se pusermos as coisas em termos racionais, é possível olhar para alguém e apontar o que faz desse alguém perfeito, pelo menos em teoria: interesses comuns, sentido de humor, objectivos de vida, inteligência, profundidade, e já agora uma carinha ou um físico que faça alguma coisa pela nossa taquicardia. O problema é isso ser só em teoria. Porque enquanto há pessoas que são automaticamente afastadas de um relacionamento mais profundo por darem erros a falar ou gostarem de touradas (dou dois exemplos meus mas a lista pode ser infinda, consoante cada um, e não me venham dizer que estou a ser esquisita e vou acabar sozinha porque toda a gente tem as suas paranóias), há outras que não percebemos bem porque é que ficam ali no meio, perfeitas em teoria mas insonsas na prática, companhia ideal para ir ver uma exposição num domingo à tarde mas não para partilhar um pequeno-almoço na cama ou uma maratona de filmes no sofá (lá está). Eu não queria estar a voltar à questão de que o romantismo morreu porque já disse o que tinha a dizer sobre esse assunto neste blogue, mas a verdade é que também me parece que hoje em dia as pessoas vão sair mas com aquela postura de que "se der, deu, e se não der também paciência, há muito trabalho e muita coisa para fazer e o tempo não dá para tudo" e ninguém tem grande paciência para tentar arrebatar ninguém ou ser arrebatado. E no fim, parece-me, a questão é só uma: uma pessoa até pode ser perfeita para nós, em teoria, ou não tão perfeita assim, logo à partida. Mas a única coisa que interessa são aqueles segundos, aquele momento em que viramos costas e percebemos se vamos ter de estar com essa pessoa outra vez, todas as vezes, depressa e sem ter medo de o demonstrar, sempre que for preciso.

24 comentários:

Simplesmente... Sophia disse...

Arrebatar ou ser arrebatado não dá grande trabalho, na verdade, dá prazer... Para arrebatar ou ser arrebatado, basta que aquela pessoa seja fisicamente compatível com o nosso olhar e que a empatia e afinidade sejam elevadas. "Basta que", não faz jus à tarefa de encontrar alguém assim, já que não é uma tarefa simples. Só arrebatamos ou somos arrebatados se isto acontecer, se não acontecer, não adianta oferecer flores, jantares ou o diabo a quatro, poque nesse caso, arrebatar e ser arrebatado, dá imenso trabalho e garanto que não leva lado algum. O que dá realmente trabalho, não são os primeiros e saborosos momentos da conquista. O maior desafio de todos é manter a chama acesa e sentirmo-nos sempre arrebatados e vivermos sempre para arrebatar aquele coração, ainda que já seja nosso. Adoro estar sozinha no sofá a fazer sessões cinematográficas, mas adoraria fazer o mesmo encostada àquele que me arrebatou e que eu arrebatei!

S* disse...

Eu gosto do amor arrebatador, aquele que nos faz perceber É isto.

Mafaldinha disse...

muito bom, mais uma vez palavras sábias!!

ann.dorinha disse...

E depois há quem ache que temos de ser perfeitas e à mais pequena falha tudo se desmorona. Há quem chame a isso falta de tolerância, eu chamo pouca aceitação pela individualidade de cada um.

sofia disse...

vou roubar este texto... pode ser?
Fabuloso:D

Margarita disse...

Adorei :)

Zé Carlos disse...

Fiquei a pensar nas palavras deste teu texto...
Gostei do blog, volto para ler mais e com mais calma.

Carla Isabel disse...

Isso deve manter-se assim é 10 anos depois...

Sofia Ribeiro disse...

A minha visita no teu blogue é diária. Começo a mergulhar na blogosfera e o teu cantinho é sempre uma prioridade. Quando há algo novo, devoro o sentido de cada palavra como se fosse única. Adoro a tua escrita e a tua forma peculiar de sentir e de ver o amor. Obrigada pelo prazer que me dás, em cada texto. Keep going*
Sofia Ribeiro

http://freesoulstorm.blogspot.pt/

juliette disse...

Sofia Ribeiro, assim até coro. Muito obrigada pelas palavras. Às vezes ando tão a correr e com pouco tempo para vir aqui e dou por mim a perguntar-me se vale a pena partilhar isto e quem vai querer ler as minhas divagações. Isto é uma grande força e sabe bem. Obrigada. Obrigada a todos, aliás, que se dão ao trabalho não apenas de ler mas também de comentar de vez em quando.

Calíope disse...

O imediatismo das coisas satisfaz a curto prazo, mas torna logo moribundo qualquer coisa que se queria duradoura. É fácil falar-se assim em teoria, mas quando elas nos mordem, não há teoria que nos valha. Somos sempre a excepção... e no fim acabamos no grande saco da regra!

Unknown disse...

Muito bom! Partilho inteiramente da tua opinião :) O meu sofá também está meio vazio, mas como diria um amigo meu "a pressa é inimiga da qualidade! :)

Anónimo disse...

Gosto tanto mas tanto de te ler...

BB disse...

gosto muito! porque penso praticamente o mesmo, sou uma solteira com muito orgulho e por vezes também me colocam a questão do não tens saudades disto, daquilo.. E eu digo que saudades tenho sim da primeira fase da relação, a conquista, encantamento.. uma fase onde existe a ansiedade de ver determinada pessoa, estar a sair no grupo de amigos e ter sempre o olho naquela pessoa, e por ai! passada esta fase do encantamento se a relação evolui vem a rotina e na maioria das vezes as "coisas" banais e sem nenhuma conquista e disso também não tenho qualquer tipo de saudade! por isso, sabe muito bem estar em modo solteira :)

Lisa Simpson disse...

Arrrg, adoro este blogue :)

Anónimo disse...

Quando li o teu texto comentei com o meu namorado , e disse-lhe para ele o ler tambem, porque apesar de ser bom partilhar o sofá tambem sinto saudades dos jantares e do entusiasmo de conquistar e ser conquistada, o quotidiano acomoda a relação.
Continua a escrever, a primeira vez que entrei no teu blog , foi através da pipoca , e li o teu do inicio ao fim, foram várias as emoções, chorei e ri.
Um beijinho Helena

Anónimo disse...

Adorei este post... ando por aqui.. obrigado por sábias palavras!

Ana J disse...

Julliete...tal como a Sofia, eu venho aqui, praticamente todos os dias à procura de uma novidade. E muitas vezes fico com pena de ter mais um post com que me identifico. Porque este tem sido o blog que mais faz pensar e sentir q n tou sozinha!! :) P'ra variar adorei o texto!

O Mundo de Farnia disse...

Bom texto, bom blog. Fiquei fã. Fez-me redespertar o bichinho da escrita.

Anónimo disse...

Eu costumo seguir o seu blog e este tema chamou-me a atençao pois estou efectivamente a viver uma situação dessas.
Conheci um rapaz num jantar,num ambiente bastante divertido. Entretanto voltamos a falar através de mensagens e temos trocado várias mensagem, e estamos naquela fase do encantamento. Só nos vimos uma vez, mas já trocamos várias mensagens e agora surgiu aquela do "vamos beber um café".
Mas estou a evitar porque tenho receio que o encantamento da troca das mensagens desapareça!

M.R disse...

Tudo é importante... Mas sem dúvida que cada vez é mais complicado encontrar alguém que nos preencha, principalmente quando se está há não sei quanto tempo sozinha. Mais o tempo passa, mas pessoas conhecemos mais difícil é encontra alguem nos preencha a serio. O problema é que normalmente é aquela pessoa que não tem nada a ver com aquilo que pensamos ser o ideal que nos chega ao coração.

Mary Jane disse...

Identifico-me imenso com a tua escrita, e partilho de histórias comuns.

Pena escreveres tão pouco!

http://janeetarzan.blogspot.co.uk/

Bridget-Jones disse...

Gostei muito do teu post com o qual me identifico e vivo uma situação parecida.
Escreves muito bem continua.
:)

ag disse...

E quando viramos costas, porque assim as circunstâncias o exigiram, e sabemos que por muito que o mundo gire, por muito que muitas pessoas se atravessem no nosso caminho um dia vais ter que voltar para ''aquela'' pessoa? Porque mesmo separados se sente que há uma conquista continua, uma preocupação continua, e independentemente de tudo ela para ti é perfeita até mesmo com os seus defeitos porque os aprendeste a amar. E tanto faz ver um filme, uma exposição, tomar o pequeno almoço na cama ou simplesmente ficar em silêncio, ela está lá para tudo isso. Isso para mim, consegue ser arrebatador.
Será que realmente não faz mais sentido as relações em que ambos se arrebatam um ao outro?

Adorei o texto. Parabéns pela tua escrita, pelas tuas ideias. Mantém-te fiel a ti mesma. Acredito na pessoa bonita que deves ser.