quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mentirosos natos

Há pouco tempo saiu um livro de um inglês que escreve sobre política e faz publicidade, Ian Leslie, que defende que somos mentirosos natos. Que o acto de mentir é uma ferramenta diária, nem que seja para não ofender os outros ou suavizar certos pensamentos. A tese não me choca e até concordo com ela, sobretudo porque o autor sublinha que sem isso nunca teríamos conseguido evoluir e criar relações humanas ainda nos tempos da pré-história. A parte que me impressionou foi mesmo a resposta que o autor deu a uma entrevista que lhe fizeram. Perguntaram-lhe quem são os maiores mentirosos da história - entre as respostas estão Bill Clinton e Deus, por ter dito a Adão e Eva que morreriam se comessem o fruto proibido - mas quando chegou o momento de o questionarem sobre a quem mentimos mais, Leslie disse simplesmente: "A nós próprios, sem dúvida. Precisamos de uma margem de ilusão para seguirmos com as nossas vidas." É que a carapuça não me podia servir melhor. E eu, que até me considero uma pessoa franca e honesta, nesta tenho de reconhecer que sou mesmo uma grande especialista em auto-ilusão.

6 comentários:

Bianca Eiró disse...

Acho que a carapuça nos serve a "todos"! Sem querer ou tão por querer, lá estamos nós a enganar o "Eu" que habita dentro de nós.

Anónimo disse...

Somos todos acho. Caso contrário dificilmente conseguiríamos encontrar forças para viver.

Juanna disse...

E eu acho que não há mal nenhum nisso. Se a mentira, a auto-mentira nos faz levantar mais contentes de manhã, nos dá forças para continuar, nos ajuda a seguir, why not?

MC disse...

Infelizmente é uma realidade. Passamos os dias a contar pequenas mentiras a nós próprios. Mas julgo que em grande parte são mentiras necessárias, espero que desdramatizantes, que nos fazem acreditar "vou conseguir. Sou forte o suficiente para fazer isto sozinha".

Pam disse...

Ámen. Ainda há pessoas que negam a pés juntos alguma vez terem mentido a quem quer que fosse. A mentira é necessária... infelizmente a mentira vale-nos a protecção de muitas situações ou mesmo pessoas.
"Ian Leslie, que defende que somos mentirosos natos. Que o acto de mentir é uma ferramenta diária, nem que seja para não ofender os outros ou suavizar certos pensamentos." - na mouche! Vou levar para o meu blogue, com referência aqui deste cantinho. Hum? :)

doroteia disse...

se todos fossem francos no quotidiano, há muito que a raça humana tinha sido aniquilada. há situações em que não podemos fugir do politicamente correcto, caso contrário corremos o sério risco de acabarmos com um olho negro.

http://oblogdadoroteia.blogspot.com/