domingo, 11 de dezembro de 2011

Ter ou não ter um gato, eis a questão

Para aí desde que me lembro, sempre tive animais de estimação. Pêlos na roupa, fios puxados, cocós para apanhar, tudo isso fez parte do meu crescimento e tornou-me um bocadinho na pessoa que sou hoje (tirando a parte de ser veterinária, ideia que ainda cheguei a ponderar do alto dos meus oito anos mas que rapidamente abandonei quando percebi que tenho mais medo de agulhas do que de pistolas e que a mínima gota de sangue é coisa para me pôr a dormir durante umas horas). Adiante. Há três anos, ganhei dois gatos como enteados – eram os gatos do meu então príncipe encantado e agora ex-namorado – ao mesmo tempo que deixava a minha gata/da minha mãe ficar na casa que sempre tinha conhecido. Pelo meio perdi a minha cadela e embarquei na árdua tarefa de educar dois felinos – que toda a gente sabe que não se educam – a serem menos selvagens e a descobrirem os prazeres de dormir no colo e essas coisas todas. De missão quase cumprida, agora dou por mim a dois dias de ficar sem saber o que isso é: pêlos na roupa, fios puxados, cocós para apanhar, e todas as outras coisas boas que é ter uma sombra de quatro patas para todo o lado e uma barriga para coçar nas alturas boas e más. Porque os gatos vão com ele, claro. Mais domesticados, mas vão embora. E eu ainda nem tenho a casa vazia e já dou por mim com a angústia de não ter um bicho qualquer a fazer-me companhia e a levantar-se de manhã ao som do despertador com a energia toda enquanto eu penso “só mais um bocadinhoooooo” e pergunto com os meus botões porque é que não me lembrei de instalar uma passadeira rolante da cama para a casa de banho quando fiz as obras cá em casa. Adiante (hoje estou para divagar, deve ser de ser domingo). Nos últimos dias tenho pensado muito em como resolver esta angústia. Já pensei que o que eu gostava mesmo era de ter um cão outra vez, mas não tenho condições para isso neste momento. Entre pagar um dinheirão que não tenho pelas vacinas mês a mês e deixá-lo quase todo o dia sozinho a roer-me os móveis novos, a racionalidade abateu-se sobre mim e desisti rapidamente da ideia. Então pensei que gostava de ter um gato de pequenino, comprar-lhe um cesto em forma de igloo como eles gostam e pôr-lhe um nome parvo como Siri ou Emile. Mas depois começam as dúvidas parvas: e se o homem dos meus sonhos é alérgico a gatos – (em todas as conversas de grupo há sempre alguém alérgico a gatos) – e da primeira vez que põe o pé cá em casa desata a espirrar e a inchar do pescoço e a pingar do nariz? E se vou parecer uma solitáriazona daquelas cheias de gatos em casa e quando dou por mim já tenho aqui uma colónia e nem consigo ver o meu chão que é tão bonito e de tábua corrida? E se me calha um gato daqueles que afia as unhas em tudo e lá se vai o meu sofá novo, que foi tão caro e por acaso até é feito naquele tecido que os gatos supostamente não gostam, mas nunca se sabe? É muito difícil. Ter ou não ter um gato, eis o novo dilema da minha vida. Mas se algum membro da minha família me está a ler, mais vale deixar já aqui por escrito que não me importava nada de ter um pequeno gato na árvore de natal este ano. Cinzento liso ou tigrado, já agora, que nunca tive nenhum desses. É que ficava logo o assunto resolvido.

17 comentários:

Anónimo disse...

Ter um GATO?! SIIM! É óptimo, super relaxante vê-los a dormir e ronronar...

Patty*=) disse...

Ter um gato e deixar a madrinha ser madrinha dele também a cada visita aí a casa!!! Isso inclui tempo ilimitado de festas e miminhos, claro! Quanto aos nomes, tenho uns bem mais parvos para sugerir! Mas se ninguém te plantar um gatito na árvore, avisa-me a tempo da nossa troca de prendas que eu não posso deixar essa casa sem um miau! *mimito ronron

Anónimo disse...

Acho que não devias pensar duas vezes :)

CAP CRÉUS disse...

Se fores buscar um cão mais senior, não tens de te preocupar com os móveis.
E penso que um cão mais velhote, não se irá aborrecer muito se ficar sozinho, já que eles dormem imenso nessas idades mais avançadas.

Jack disse...

o melhor será passar por uma associação de animais e seguir o seu coração por cão ou por gato. Eu tb sou "sozinha" mas tenho a D. Olivia (Cadela rafeirola adoptada com dois meses) que apesar de passar a maior parte do dia sozinha é muito feliz e nunca me roeu nada... so uns xixis no tapete da porta de entrada:PTenho a certeza que seja q animal for a fará muito feliz e o principe encantado não será concerteza alergico, muito pelo contrário partilhará o mesmo gosto e carinho pelo animal *

Juanna disse...

E que tal concentrates-te em ti e depois logo pensares em animais? Deixa lá a aparente solidão que é uma casa sem bichos, desfruta da tua casa, da tua vida, de ti mesma. Eu não poria o carro à frente dos bois.

Sim, sou alérgica a gatos, não posso estar em casas com gatos mais de 1 hora que fico logo cheia de tosse, ranho e olhos a picar :)

S* disse...

Tenho três gatos em casa da mãe. Em breve vou para a minha casa e já ando a "panicar" por ir ficar sem os meus três felinos.

chinfrim disse...

Hm.. não adies aquilo que queres por causa daquele que poderá ou não aparecer... a vida tem o dom de encaixar as coisas como deve ser. Um gatinho cinzento liso, um scottish fold, mais precisamente, também está na minha lista (numa delas). Eu diria: go for it!

Anónimo disse...

Concordo com a Juanna, julgo que o principal agora é tomares conta de ti. o gato, embora seja uma excelente companhia, acaba por ser uma "prisão". vou dar uma sugestao: poe de lado o dinheiro que irias gastar com um animal de estimaçao, vais ver que ao fim de algum tempo vais ter um dinheirinho para fazer uma pequena viagem. que tal? e se adoras animais, podes sempre dar uma parte dessa quantia à união zoófila (eu faço isso, pois não posso ter nenhum gato - sou alérgica!)aproveita esta oportunidade para estares ctg propria e desfrutares da tua vida.quem sabe se o teu principe nao é um alérgico a gatos bem charmoso (e inteligente e rico e espectacular)? eheh

ines
http://cabelosaovento.blogspot.com

Nuno Andrade Ferreira disse...

Gato, sim. Ter uma vida em casa para além da nós próprios só pode ser bom.

São curiosos, sem serem intrometidos. São carinhosos, sem serem lamechas.

E não, não estarás a substituir. Estarás a juntar.

Faz isso.

B. disse...

Um gato, sim! Sem dúvida. :)

inversiva disse...

vai ao gatil e adopta um, nada melhor.

xapati disse...

tive exactamente as mesmas dúvidas há uns meses atrás mas menos capacidade de as pôr assim por escrito.
imaginei que me tornaria numa solteirona com gatos, que começaria até a fumar (português suave amarelo, obviamente!).
tenho agora dois gatinhos a dormir aos meus pés e quanto ao resto...talvez a profecia se tenha concretizado em sentido contrário ;)

Patrícia disse...

Vou meter o nariz onde não é chamado. :)

Recém-separada, nunca tinha vivido sozinha na vida (e não fui talhada para tal!). Se não fossem as duas gatinhas bebés que adoptei (de uma ninhada não desejada), já estaria internada num hospício! :D Elas já estão com meio ano, e são as minhas filhotas felpudas. Sinto-me muito feliz com elas. É tão bom chegar a casa e tê-las à minha espera, ansiosas por mimos e brincadeira! :)

Bottom line, não aconselho um gato, mas dois. Embora não sofram tanto de depressão como os cães, eles também ficam tristes por passar demasiado tempo sozinhos. Dois gatos irmãos, juntos desde sempre, são grandes companheiros e brincam um com o outro (estragam menos coisas e não se sentem tentados a brincar connosco "à gato", com arranhadelas e mordidas).

Boa sorte! :)

Eve disse...

Como vivo numa casa com espaço gostava muito de ter um cão (I'm a dog person). Mas em apartamentos nem sequer pensaria em tal coisa.

Ana Sá disse...

E se te calha um daqueles que te roçam a orelhinha no braço para marcar "és minha"? E se te calha um daqueles que se atira para o chão e rebola quando te vê? E se te calha um daqueles que te encosta o narizinho molhado à cara de noite? E se te calha um daqueles que ronrona todo contente aninhado contra ti? E se te calha um daqueles que te faz companhia e dá mimos quando te nota deprimida, e te mete a patinha no colo? :) É isso... para mim estava decidido.

O meu namorado é alérgico e agora de tanto lidar está quase imune. E agora temos o nosso gato. Porque eu não prescindo dos meus animais.

Violeta disse...

"A meow massages the heart."