O dicionário do word não reconhece a palavra ternurenta e propõe, nas correcções, turbulenta.
Que grande cínico.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Uma costela existencialista
Sempre tive uma costela existencialista que, como qualquer osso atacado por reumatismo, de vez em quando dá sinal e dói e deixa-me atormentada. Quando era pequena, mais ou menos na altura em que o meu avô morreu, novo, na cama, sem mais nem menos, chegava a ficar acordada noites e noites a fio, com medo de morrer e nunca mais ver a minha família, as minhas amigas, as minhas bonecas a quem tinha inventado um nome e uma letra na escola e tudo, e ver apenas preto, silêncio, e para sempre. Com o passar do tempo, aprendi a fechar os olhos sem medo de nunca mais os abrir e a deixar as reflexões sobre a existência para os livros que me foram enchendo as prateleiras. Já não fico acordada de noite, com medo de morrer, mas não sei o que é pior: se isso, se aquilo que às vezes me relembra que a costela existencialista continua aqui e um dia o reumatismo vai mesmo virar artrose. Não é medo de morrer, que já se sabe que para sempre só vivem os sapos e as princesas das histórias contadas à beira da cama (e o Manoel de Oliveira, vá), mas é medo de não estar a viver a minha vida como devia, de lhe estar a passar ao lado. Porque se há coisa que percebi cedo, sem ter de queimar muitas horas de sono ou as poucas pestanas que tenho a ler calhamaços de Sartre e Camus, é que nestas coisas da vida, só temos mesmo esta. E a grande questão, capaz de meter medo até ao Exterminador Implacável (aquele do segundo filme, que ficava em gelatina e era mesmo assustador), é o que fazemos com ela.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Na moda com Alfred Hitchcock
Sou suspeita quando aos anos 60 porque ainda estou à espera que apareça uma actriz com tanto magnetismo como a Anna Karina ou uma estética feminina tão irrepreensível como a das senhoras a la Betty Draper. Mas a verdade é que tenho adorado - adorado - os editoriais que vão aparecendo nas revistas de moda depois dos desfiles deste Outono/Inverno e que só me fazem lembrar os filmes do Hitchcock. Primeiro foi o de Julho da Vogue Austrália, e agora a sempre maravilhosa Grace Coddington atira-nos, no September issue da Vogue, com uma sempre maravilhosa Natalia Vodianova no papel de uma espécie de Kim Novak ou Tippi Hedren dos tempos modernos. É que nem faltam os pássaros, está perfeito.
Algumas imagens do editorial da Vogue Austrália, fotografado por Nicole Bentley:
E algumas imagens do editorial da Vogue americana, fotografado por Mert Alas e Marcus Piggott.
Algumas imagens do editorial da Vogue Austrália, fotografado por Nicole Bentley:
E algumas imagens do editorial da Vogue americana, fotografado por Mert Alas e Marcus Piggott.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Há dias em que sinto que isto das nove às cinco dá cabo de mim
Que o ar condicionado me seca até ao tutano e que um dia vou chegar a casa com as lentes de contacto tão coladas aos olhos que nunca mais vão sair. Que já não vou conseguir correr ao final do dia porque as minhas pernas vão estar em forma de cadeira, de estar tanto tempo sentada. Que as dioptrias vão galopar incessantemente até ter de usar uns óculos fundo de garrafa que me vão fazer os olhos ainda mais pequeninos do que já são (e eu que sempre sonhei ter uns olhos à desenho animado japonês, mas mais pestanudos). Que vou fazer contas e vou perceber que os meus dias têm mesmo 24 horas mas nenhuma coisa de especial, e olha, lá se foi mais um. Que vou estar velha antes do tempo e que não me lembro de ouvir os meus pais queixarem-se disto tanto como ouço a minha geração, porque é que será? Em dias como esse, como hoje, esqueço-me que até tenho um trabalho que não é monótono e ai de mim, podia ser muito pior. Em dias como esse, como hoje, aterra-me um livro na secretária chamado A Arte do Inconformismo, de um tipo que largou o trabalho das nove às cinco e vive do que gosta a viajar pelo mundo, e pergunto-me que raio de ironia distorcida terá Deus ou o universo para se rirem das minhas angústias dessa maneira. Sinto-me um macaco numa jaula a olhar para as bananas lá no alto e a culpa é toda do autor desse livro e de uma parábola que está na contracapa e que é demasiado grande para estar aqui a reproduzir. Nunca gostei de macacos, desde pequena, e só estou a ver uma solução para este estado de espírito que se apoderou de mim com toda a força: vou comprar todos os cachos de bananas que houver no supermercado e na frutaria ao lado de casa. Porque posso estar numa jaula, sim, mas ao menos a jaula dá-me dinheiro para comprá-las e para oferecê-las e para pô-las na despensa, se quiser. Tira-me tempo e disponibilidade mental para as saborear, é verdade, mas isso vou ter de continuar a arranjar para mim. É uma promessa que fiz a mim própria nestas férias e, já se sabe, as promessas são para se cumprir.
domingo, 4 de setembro de 2011
Estive uma semana fora...
... e ele meteu logo outra pessoa cá em casa. Chama-se FM, é mais conhecido por Football Manager, e quer-me parecer que é a nova companhia preferida das tardes, noites e madrugadas.
sábado, 27 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Porque é que nunca ninguém nos avisou que o problema não era só a tampa da sanita levantada?
Não é fácil viver com uma pessoa, não é. Percebi isso mais ou menos há dois anos, quando comecei a viver com uma pessoa, a minha pessoa. Não que eu achasse que me ia cair uma alma gémea do céu que quisesse fazer só as mesmas coisas que eu, tivesse exactamente os mesmos hábitos que eu e deixasse tudo no sítio tal e qual como eu idealizo (até porque isso não seria uma alma gémea, seria uma sombra, um enjoo). A questão é: porque é que nunca ninguém nos avisou que o problema não era só a tampa da sanita levantada? Que toda a gente tem manias e que essas manias quase nunca são as mesmas debaixo do mesmo tecto, sobretudo entre homens e mulheres? Nem é que eu me possa queixar da tampa da sanita levantada, porque isso nunca acontece cá em casa. Mas há sempre qualquer coisa que, ao fim de tantos meses e de tantos pedidos, me deixa quase com o olho a tremer de nervoso. O rolo do papel higiénico sempre fora do suporte, e eu estremunhada de manhã a ter de o procurar pela casa de banho fora, com a certeza absoluta de que se inventaram um suporte para o papel higiénico e nós o fomos comprar a condizer com o resto e tudo... é para o ter no suporte. O projector em cima do espelho sempre a apontar para o tecto, e eu a pôr o rímel nos olhos como uma toupeira míope até perceber que a luz está a apontar para as alturas, onde não interessa nada. A televisão sempre a fugir para a Sport tv 1, a Sport tv 2, a Sport tv 3, a Sport tv 4, a Sport tv HD, porque quando não é o Benfica é a Liga inglesa ou a Liga italiana ou a Liga espanhola ou a Liga Europa ou uma taça qualquer daquelas que acontecem todos os fins de semana e-deixa-me-lá-ver-só-um-bocadinho-para-saber-qual-é-o-resultado. O lençol que ao fim de uns minutos parece um guardanapo amarrotado aos pés da cama e não há maneira de puxar quando se está a tiritar de frio. E tanta coisa que me leva a pensar que deviam dar um prémio aos casais que vivem juntos e conseguem continuar a gostar um do outro e a querer construir um futuro juntos.
O mais parvo, no meio desta saga diária, é que quando estou sozinha em casa, deliciada por ter o sofá só para mim, a televisão só para mim, a pior música que me apetecer aos berros, dou por mim aborrecida ao fim de umas horas, durmo mal de noite e sinto a falta de alguma coisa. O que só quer dizer que não é fácil viver com uma pessoa, não é. Mas não é mau de todo.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Verão da treta
Estou eu aqui a falar de me plantar ao sol e libertar o Mogli que há em mim já daqui a dois dias, e parece que dão chuva para a semana. Com sorte, a única coisa libertadora que vai acontecer é um momento Singing in the rain. Com galochas. E gabardine.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Redacção de sonho
Sempre fui uma frequentadora assídua do Who What Wear e adoro o novo grafismo e organização do site. Há uns dias, foram publicadas as imagens das novas instalações da equipa e percebi que as adoro também a elas. Parecem um catálogo e custa a crer que fiquem tão perfeitas e arrumadas quando o trabalho aumentar. Mas são lindas e gostava de ter umas iguais. Bem sei que a inveja é pecado e bla bla bla, mas já que trabalho numa revista, será que era muito pedir umas instalações assim? Eu até vinha trabalhar com mais alegria, e isso é sempre bom, não é?
A recepção:
O gabinete da directora criativa:
O gabinete da directora editorial:
Pormenor desse gabinete que vou já roubar para a minha casa:
Corredor com área de trabalho:
Sala de reuniões:
A recepção:
O gabinete da directora criativa:
O gabinete da directora editorial:
Pormenor desse gabinete que vou já roubar para a minha casa:
Corredor com área de trabalho:
Sala de reuniões:
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Antes das férias
Sempre tive um problema com as férias. E não estou a falar do problema que toda a gente tem: passarem depressa de mais. O meu problema é o antes. Fico aérea na antecipação. Distraída, desconcentrada, parva, quer vá para um país tropical ou para a localidade aqui ao lado. Nos tempos da escola, os professores costumavam escrever uns recados para casa a dizer que no primeiro período eu não me esforçava o suficiente e estava “muito no ar” (nessa altura acho que era pior o regresso das férias do que a véspera, afinal três meses davam para muita coisa e certamente para desaprender a estar quieta numa sala de aula). Houve um ano em que um professor até me mudou de lugar porque eu me distraía demasiado com a janela e com a vida lá fora. Felizmente para mim, estou de costas para a janela no trabalho e não consigo perder-me em devaneios a imaginar onde vai o rapaz com as flores ou no que pensa a senhora tão absorta que atravessa a estrada. Mas continuo parva na minha contagem decrescente e a ter de treinar um poder de concentração fantástico que me faça esquecer que faltam três dias para estar ao ar livre e sem horários. Deve ser a minha costela Mogli, menina da selva. E neste momento faltam mesmo três dias e já estou na fase em que me imagino descalça e sem roupas apertadas e a derreter ao sol. Alguém falou em hora de fecho e em deixar trabalho adiantado para a semana em que estou fora? Hein? Alguém? Desculpem, estava distraída e não percebi.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
As maravilhas de ter sofá (depois de um ano sem ele)
Eu, que nem sou uma pessoa muito dada à televisão, descobri que gosto de ver programas de culinária. Que são o melhor que me podem dar quando chego a casa cansada de estar ao computador ou de ler livros e palavras intermináveis por dia. Bem posso ficar com o estômago colado às costas ou a salivar por um pastel de nata às duas da manhã, como se estivesse grávida, mas gravo tudo, e vejo tudo. O entusiasmo lá em casa é tanto por estes dias que ontem, na 458254567ª expedição ao Ikea, dei por mim a passar que nem uma seta por aqueles modelos de casas de 30 metros quadrados, onde gosto sempre tanto de entrar, e a ficar verdadeiramente empolgada ao pé dos utensílios de cozinha que há umas semanas atrás despertariam o mesmo entusiasmo que uma caixa de bricolage. Trouxemos um esmagador de alhos, uma frigideira de grelhar, uma pinça para virar os grelhados e dois pincéis para os barrar com molho. Ainda agarrámos num ralador de queijo, num cortador de ovo cozido e num almofariz um bocadinho maior do que o nosso. Esses voltaram para a prateleira, porque ainda não estamos tão fanáticos como isso, mas temo que seja apenas por uma questão de dias. Se eu vier para aqui falar de comprar azoto líquido para fazer gelados ou de outras geringonças para fazer cozinha molecular, internem-me, por favor.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
E por falar em lamber montras
Un certain je ne sais quoi
Já aqui neste blogue falei sobre a maravilha que pode ser o francês por causa de expressões como empêcheur de danser para desmancha-prazeres. Ontem descobri mais uma para quando se anda a ver montras: lèche-vitrines. À letra é lamber o vidro das montras. E eu bem sei o que isso é.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Uma questão de “ésses”
Anda aí uma polémica por causa dos Estrunfes, que agora andam cheios de americanices e passaram a Smurfs. Percebo a polémica e não concordo com a mudança – os espanhóis, sempre tão rápidos a fazer dobragens, não foram na conversa e mantiveram Pitufos, que assim de repente é que não tem mesmo nada a ver – mas confesso que me passa um bocadinho ao lado. “S” por “s” bem podem ficar com os Smurfs que eu prefiro o Snarf, dos Thundercats.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Rádio nostalgia
Quando era pequena, lembro-me de ouvir a minha mãe comentar, em certas músicas, que ficava nostálgica e que eram “do tempo em que era nova, que saudades”. Eu ria-me das capas dos discos, dos cabelos compridos e encaracolados à cão d’água, dos bigodes farfalhudos, e chamava-a exagerada por não conseguir ouvir uma música sem lhe colar toda a bagagem dos anos passados. Hoje dou por mim surpreendida por músicas “do meu tempo” e já sei o que é essa nostalgia dos 15, 16 anos, das baterias aos gritos na aparelhagem que nunca me cansavam, das letras de amor que me faziam chorar baba e ranho e ficar com os olhos tão inchados como duas esponjas na água, com a certeza de que a minha vida tinha acabado porque o não sei quantos não me ligava nenhuma. Sei o que é isso e acho que não há nada que nos transporte tão bem para uma determinada idade, Verão ou fase, do que uma canção. Ainda não tenho filhos, mas já tenho a certeza: vou andar com eles no carro, vou ser surpreendida por uma música e também eu vou começar com a história do meu tempo e das saudades. Eles que gozem à vontade.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Quando for grande quero escrever como o Rui Cardoso Martins
E não tem nada a ver com o facto de ele ter ganho agora o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com um livro que, para mim, foi um dos melhores de 2009 (Deixem Passar o Homem Invisível). Nem com aquele jeito de misturar erudição com humor negro, ou de acabar uma frase com tudo menos aquilo com que pensávamos que ia acabar quando a frase começou. Ou melhor, tem a ver com isso mas sobretudo com um texto específico escrito para a Time Out Lisboa e publicado há um ano. O tema era Como eu escrevo, e ele escreveu isto:
Como não escrevo. Não escrevo sem lavar os dentes, as palavras ganham sarro e devem sair frescas da boca para a ponta dos dedos. Não escrevo sem pensar que são quê, cinco da manhã, voltaste a acordar antes do sol e é bom que tenhas algo a dizer na confusão do mundo. Não escrevo de barriga cheia ou com vestígios de ressaca. Reduz o horário de escrita do ano, mas nada a fazer. Se começas a ficar tonto, come as palavras que estão a mais, há sempre muitas. Quando não aguentares o jejum, se a própria fome te engorda a frase, vai ao frigorífico e repõe o açúcar e o sal no sangue.
Não escrevo sem pensar nas possibilidades do ridículo de escrever, que nunca acabam. Não escrevo sem pensar que posso ser mais uma pessoa que devia fazer outra coisa na vida. Não escrevo sem perceber que então ia fazer o quê?
Agora como escrevo, se conseguir. Escrevo contra a maldade e a ignorância que estão dentro de mim. Escrevo também a favor delas, são adversários magníficos a quem foram dados muitos anos de avanço.
Escrevo a pensar nas formas impossíveis do amor, se for preciso inventa-se mais uma verdadeira.
Escrevo contra a escravatura das religiões, a obrigatoriedade da fé que tanto mal faz às crianças da Terra. Tenho respeito por Deus, mas se existe é má pessoa. Eu mudava de atitude, com tantos poderes.
Escrevo a combater as conspirações da realidade, a meio desta frase lá está ela a conspirar, algures. Apesar de tudo, acredito que a vida triunfa, não escrevam Fim antes de acabar a história. Sou um optimista mas não percebo porquê. E se isto fosse fácil era para os outros, como dizem os marines e disse uma pessoa que amei. Escrevo porque me pediram para escrever e porque me pediram para não escrever e foram todos bons conselhos de gente formidável. Escrevo porque tenho muitos amigos e amigas e alguns deles são um pouco malucos. E tenho filhos e pais e irmãs.
Escrevo porque viajei e vi injustiça e sofrimento. Não serve de nada escrever sobre desgraças, ou quase nada, mas algum nada temos de fazer. Muito do sofrimento que vi é meu e português e mundial. Também faz rir, mas acredito que o humor é aprofundar, não aligeirar.
Escrevo contra as pessoas parvas.
Escrevo porque as mulheres são bonitas e cheiram bem. E pelos vivos e pelos mortos, as pessoas vivem e de repente morrem-nos. E o mar tem peixes e os bosques pássaros e o esgotos ratos. Escrevo porque é uma profissão interessante, há de certeza melhores, mas não me calharam nem podia ser.
Se isto não é o melhor texto sobre a escrita, não sei qual poderá ser. E é por isso que volta e meia cá volto a lê-lo. E que digo sempre: quando for grande quero escrever como o Rui Cardoso Martins.
Como não escrevo. Não escrevo sem lavar os dentes, as palavras ganham sarro e devem sair frescas da boca para a ponta dos dedos. Não escrevo sem pensar que são quê, cinco da manhã, voltaste a acordar antes do sol e é bom que tenhas algo a dizer na confusão do mundo. Não escrevo de barriga cheia ou com vestígios de ressaca. Reduz o horário de escrita do ano, mas nada a fazer. Se começas a ficar tonto, come as palavras que estão a mais, há sempre muitas. Quando não aguentares o jejum, se a própria fome te engorda a frase, vai ao frigorífico e repõe o açúcar e o sal no sangue.
Não escrevo sem pensar nas possibilidades do ridículo de escrever, que nunca acabam. Não escrevo sem pensar que posso ser mais uma pessoa que devia fazer outra coisa na vida. Não escrevo sem perceber que então ia fazer o quê?
Agora como escrevo, se conseguir. Escrevo contra a maldade e a ignorância que estão dentro de mim. Escrevo também a favor delas, são adversários magníficos a quem foram dados muitos anos de avanço.
Escrevo a pensar nas formas impossíveis do amor, se for preciso inventa-se mais uma verdadeira.
Escrevo contra a escravatura das religiões, a obrigatoriedade da fé que tanto mal faz às crianças da Terra. Tenho respeito por Deus, mas se existe é má pessoa. Eu mudava de atitude, com tantos poderes.
Escrevo a combater as conspirações da realidade, a meio desta frase lá está ela a conspirar, algures. Apesar de tudo, acredito que a vida triunfa, não escrevam Fim antes de acabar a história. Sou um optimista mas não percebo porquê. E se isto fosse fácil era para os outros, como dizem os marines e disse uma pessoa que amei. Escrevo porque me pediram para escrever e porque me pediram para não escrever e foram todos bons conselhos de gente formidável. Escrevo porque tenho muitos amigos e amigas e alguns deles são um pouco malucos. E tenho filhos e pais e irmãs.
Escrevo porque viajei e vi injustiça e sofrimento. Não serve de nada escrever sobre desgraças, ou quase nada, mas algum nada temos de fazer. Muito do sofrimento que vi é meu e português e mundial. Também faz rir, mas acredito que o humor é aprofundar, não aligeirar.
Escrevo contra as pessoas parvas.
Escrevo porque as mulheres são bonitas e cheiram bem. E pelos vivos e pelos mortos, as pessoas vivem e de repente morrem-nos. E o mar tem peixes e os bosques pássaros e o esgotos ratos. Escrevo porque é uma profissão interessante, há de certeza melhores, mas não me calharam nem podia ser.
Se isto não é o melhor texto sobre a escrita, não sei qual poderá ser. E é por isso que volta e meia cá volto a lê-lo. E que digo sempre: quando for grande quero escrever como o Rui Cardoso Martins.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Coisas que deviam ser proibidas quando se regressa de férias
(e que não param de me acontecer):
- ter de trabalhar até à meia-noite e meia logo no segundo dia;
- ir acabar de desvitalizar um dente e estar 40 minutos de boca aberta a pensar "eu estava tão bem na praia, eu estava tão bem na praia";
- chover.
- ter de trabalhar até à meia-noite e meia logo no segundo dia;
- ir acabar de desvitalizar um dente e estar 40 minutos de boca aberta a pensar "eu estava tão bem na praia, eu estava tão bem na praia";
- chover.
Subscrever:
Mensagens (Atom)















