Ela diz que nunca mais lhe vai falar, e no primeiro momento em que se apanha sozinha, telefona-lhe.
Eu digo que não vou ter saudades dele porque não há nada de que ter saudades, e tenho saudades.
Ela diz que não quer saber das justificações dele para nada, que chegou ao limite da paciência, e fica toda a noite sem dormir à espera de uma mensagem.
Eu às vezes quero e sonho tanto com uma coisa, que acabo com memória fotográfica de momentos que nunca aconteceram.
E gostava de saber que parte idiota do nosso cérebro é que permite que tudo isto aconteça.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
O romantismo
Concedo que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre o fim do romantismo. Qualquer pessoa poderá dizer (começando por mim mesma) que o romantismo não morreu, não há é quem seja romântico comigo. Ou à minha volta. Seja. Para essas afirmações, eu respondo na mesma: já não há pessoas românticas. Pessoas arrebatadas, veementes, apaixonadas, loucas, arrojadas, inconscientes, impulsivas, romanticamente desesperadas.
O Pedro defendeu no outro dia, a propósito de um espectáculo do Dylan Moran, que, ao contrário da conotação feminina da palavra romantismo, já não há mulheres românticas. Mais: nas grandes cidades, há apenas mulheres gélidas.
Dissessem-me isto há uns tempos, e a minha reacção seria dada pela costela feminista. Que os homens é que perderam todo o romantismo, as mulheres são apenas mal compreendidas. Mas como não foi há uns tempos, mas sim há uma semana, a minha reacção foi apenas esta: não há mulheres românticas, mas também não há homens românticos.
Já ninguém morre de amor. Ninguém deixa de comer porque só pensa noutra pessoa. Ninguém se fecha em casa com um desgosto amoroso. Hoje, se alguém demonstra interesse (outra palavra que matou o romantismo), é sempre comedidamente. Fica um convite no ar, não se insiste muito para não se parecer um louco obcecado, e é ver como a coisa anda. Se dizemos que agora não dá, pedem para avisar quando der. E pronto.
Claro que esta coisa de seguir os impulsos e ter actos tresloucados, tem sempre um revés maldoso. Ninguém quer uma pessoa que não deseja a cantar uma serenata à porta de casa, com um ramo de flores e dois bilhetes de avião para o Tahiti na mão. Ninguém quer alguém de quem não gosta a insistir em viver feliz para sempre. Mas desistir logo? Esperar para ver as cenas dos próximos capítulos? Andar aos beijinhos e não falar sobre isso e logo se vê? Remoer uma paixão durante meses e meses e não dizer à pessoa que está ao nosso lado que quando ela aparece o dia que era de chacha fica logo diferente?
E o pior é isto: é ser sincero e ficar com o rótulo de pessoa precipitada. É, de repente, ser um ovni só porque se disse "gosto de ti".
O Pedro defendeu no outro dia, a propósito de um espectáculo do Dylan Moran, que, ao contrário da conotação feminina da palavra romantismo, já não há mulheres românticas. Mais: nas grandes cidades, há apenas mulheres gélidas.
Dissessem-me isto há uns tempos, e a minha reacção seria dada pela costela feminista. Que os homens é que perderam todo o romantismo, as mulheres são apenas mal compreendidas. Mas como não foi há uns tempos, mas sim há uma semana, a minha reacção foi apenas esta: não há mulheres românticas, mas também não há homens românticos.
Já ninguém morre de amor. Ninguém deixa de comer porque só pensa noutra pessoa. Ninguém se fecha em casa com um desgosto amoroso. Hoje, se alguém demonstra interesse (outra palavra que matou o romantismo), é sempre comedidamente. Fica um convite no ar, não se insiste muito para não se parecer um louco obcecado, e é ver como a coisa anda. Se dizemos que agora não dá, pedem para avisar quando der. E pronto.
Claro que esta coisa de seguir os impulsos e ter actos tresloucados, tem sempre um revés maldoso. Ninguém quer uma pessoa que não deseja a cantar uma serenata à porta de casa, com um ramo de flores e dois bilhetes de avião para o Tahiti na mão. Ninguém quer alguém de quem não gosta a insistir em viver feliz para sempre. Mas desistir logo? Esperar para ver as cenas dos próximos capítulos? Andar aos beijinhos e não falar sobre isso e logo se vê? Remoer uma paixão durante meses e meses e não dizer à pessoa que está ao nosso lado que quando ela aparece o dia que era de chacha fica logo diferente?
E o pior é isto: é ser sincero e ficar com o rótulo de pessoa precipitada. É, de repente, ser um ovni só porque se disse "gosto de ti".
sexta-feira, 20 de junho de 2008
E agora?
A minha equipa desceu de divisão.
Portugal foi eliminado do Euro....
E agora? O que é que eu vou fazer?
Portugal foi eliminado do Euro....
E agora? O que é que eu vou fazer?
terça-feira, 17 de junho de 2008
Encontros imediatos do terceiro grau
Ontem, para variar um bocadinho, saí às 18h em ponto. Ou seja, tive tempo para lanchar como as pessoas normais, sentadinha a uma mesa com o meu palmier coberto (quilos de açúcar e milhões de calorias em cada dentada, que eu não faço a coisa por menos). Chega a minha mãe, a única pessoa que eu conheço que é ainda mais distraída do que eu no que toca a reconhecer pessoas na rua. E é quando ela pergunta ao senhor do lado se pode tirar a cadeira, e uma voz conhecida responde:
"claro"
que eu vejo que ali ao lado, sentadinho com o seu lanche, está nada mais nada menos que................
... Eládio Clímaco. E assim de repente, com aquele
"claro"
foi o regresso ao passado: os Jogos Sem Fronteiras, o Festival da Eurovisão, os anos 80, o princípio dos anos 90, e eu de franjinha e com os olhos colados à televisão.
"claro"
que eu vejo que ali ao lado, sentadinho com o seu lanche, está nada mais nada menos que................
... Eládio Clímaco. E assim de repente, com aquele
"claro"
foi o regresso ao passado: os Jogos Sem Fronteiras, o Festival da Eurovisão, os anos 80, o princípio dos anos 90, e eu de franjinha e com os olhos colados à televisão.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Primeiro pensamento
Primeiro pensamento do primeiro dia de regresso ao trabalho:
Faltam 33 dias para as férias.
Faltam 33 dias para as férias.
domingo, 15 de junho de 2008
Amor é...
... um casal de sessenta anos, deitado lado a lado na praia, de barriga para baixo, a ler a mesma revista.
sábado, 14 de junho de 2008
Não sei...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Apagar
Ter tempo dá nisto: atiro-me para cima de um sofá e agarro nos dois telemóveis, pronta a apagar as mensagens que não valem a pena recordar. Mais do que isso, pronta a apagar as esperanças teimosas que ainda vou tendo, em relação a pessoas que claramente não têm mais nada para me dar. (apagar essas pessoas é que já é mais difícil, mas eu juro que me esforço).
Cinco minutos deste exercício, e é triste. Porque percebo que isto de apagar o que não vale a pena, em vez de ser uma prova de maturidade ou de auto-confiança, do género vou-rasgar-todas-as-cartas-de-amor-que-ele-me-escreveu-e-queimar-as-fotografias-onde-estamos-juntos-porque-mereço-melhor, é quase patético: aquilo que apago é tão inócuo e tão pouco veemente que sou eu que me fico a perguntar porque é que não desapareceu da minha cabeça há mais tempo. Ou do meu telemóvel, pelo menos.
Cinco minutos deste exercício, e é triste. Porque percebo que isto de apagar o que não vale a pena, em vez de ser uma prova de maturidade ou de auto-confiança, do género vou-rasgar-todas-as-cartas-de-amor-que-ele-me-escreveu-e-queimar-as-fotografias-onde-estamos-juntos-porque-mereço-melhor, é quase patético: aquilo que apago é tão inócuo e tão pouco veemente que sou eu que me fico a perguntar porque é que não desapareceu da minha cabeça há mais tempo. Ou do meu telemóvel, pelo menos.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A febre do Euro 2008
Parece que não afectou toda a gente. Apesar dos maluquinhos que festejaram a primeira vitória de Portugal como se fosse já a conquista do título europeu, parece que a febre do Euro 2008 não afectou toda a gente (a mim afecta-me durante os jogos, naqueles 90 minutos não me telefonem, não me chateiem, não me façam perguntas difíceis, dêem-me um ecrã generoso, boa companhia... e um granizado de champanhe feito pela Bimbi, já agora).
Sábado à noite, vários cachecóis ao peito pelo Bairro Alto fora, e naquele espírito de quem ganhou um jogo e está de férias, o meu irmão diz ao taxista, no final da viagem:
"Adeus, boa noite. E que Portugal ganhe o Euro, hein?"
Foi pior do que dizer-lhe "e que a gasolina não pare de aumentar e o Sócrates proíba os taxistas de circular, hein?"
O senhor ficou revoltado, chocado, fora de si. Disse que o ordenado que os jogadores recebem é insultuoso. Vociferou qualquer coisa contra o facto de, só por estarem no Euro, ganharem mais mil euros por dia. E no meio de uma revolta imensa, entre uma série de palavras que eu não percebi, terminou dizendo:
"Se fosse eu a mandar era dar-lhes uma caganeira a todos."
Sábado à noite, vários cachecóis ao peito pelo Bairro Alto fora, e naquele espírito de quem ganhou um jogo e está de férias, o meu irmão diz ao taxista, no final da viagem:
"Adeus, boa noite. E que Portugal ganhe o Euro, hein?"
Foi pior do que dizer-lhe "e que a gasolina não pare de aumentar e o Sócrates proíba os taxistas de circular, hein?"
O senhor ficou revoltado, chocado, fora de si. Disse que o ordenado que os jogadores recebem é insultuoso. Vociferou qualquer coisa contra o facto de, só por estarem no Euro, ganharem mais mil euros por dia. E no meio de uma revolta imensa, entre uma série de palavras que eu não percebi, terminou dizendo:
"Se fosse eu a mandar era dar-lhes uma caganeira a todos."
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Quem me dera...
... poder dizer tudo o que me vai na cabeça, como quando tinha 15 anos.
Assim de repente, e depois das várias pessoas de diferentes fases da minha vida que encontrei recentemente, tenho um milhão de palavras entaladas na garganta.
gosto de ti.
deixas-me sem palavras.
estás mal vestida.
fazes-me rir.
às vezes odeio-te.
um elogio teu é o elogio mais importante do mundo.
desculpa não ter percebido que estavas a chorar ao telefone.
beija-me.
posso-te espetar com um alfinete a ver se acordas?
quando estou ao pé de ti sou uma pessoa melhor.
canta-me uma canção.
esse saco é piroso.
assusto-te?
preferia que não me tivesses mandado mensagem de parabéns.
no que é que estás a pensar?
tinha uma prenda para ti e não ta dei.
odeio estar de volta a isto.
essa conversa dá-me sono.
tenho saudades tuas.
não gostas de nada.
antes de ser assim já fui espontânea.
menti.
Assim de repente, e depois das várias pessoas de diferentes fases da minha vida que encontrei recentemente, tenho um milhão de palavras entaladas na garganta.
gosto de ti.
deixas-me sem palavras.
estás mal vestida.
fazes-me rir.
às vezes odeio-te.
um elogio teu é o elogio mais importante do mundo.
desculpa não ter percebido que estavas a chorar ao telefone.
beija-me.
posso-te espetar com um alfinete a ver se acordas?
quando estou ao pé de ti sou uma pessoa melhor.
canta-me uma canção.
esse saco é piroso.
assusto-te?
preferia que não me tivesses mandado mensagem de parabéns.
no que é que estás a pensar?
tinha uma prenda para ti e não ta dei.
odeio estar de volta a isto.
essa conversa dá-me sono.
tenho saudades tuas.
não gostas de nada.
antes de ser assim já fui espontânea.
menti.
Quando entro no carro...
... e ponho a música do rádio aos gritos, das duas uma:
ou estou muito feliz
ou muito muito muito irritada.
ou estou muito feliz
ou muito muito muito irritada.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Escrever com barulho de fundo
É quinta-feira à tarde e a CGTP tomou de assalto a Avenida da Liberdade. E ao barulho do berbequim das obras do prédio em frente, que nos acompanha há longos meses, juntaram-se os gritos de ordem
CÊ-GÊ-TÊ-PÊ!
CÊ-GÊ-TÊ-PÊ!
ou o sempre antigo mas nunca fora de moda
A LUTA CONTINUA!
E é nestas alturas que eu, que entretanto despachei um texto importante sem usar a palavra sindicalismo ou manifestação apesar do caos que nos entra pela janela, começo a perceber que, por este andar, sou capaz de escrever em qualquer lado. Dêem-me uma data de fecho e dêem-me sobretudo isto: uma semana de férias a dois dias de distância.
CÊ-GÊ-TÊ-PÊ!
CÊ-GÊ-TÊ-PÊ!
ou o sempre antigo mas nunca fora de moda
A LUTA CONTINUA!
E é nestas alturas que eu, que entretanto despachei um texto importante sem usar a palavra sindicalismo ou manifestação apesar do caos que nos entra pela janela, começo a perceber que, por este andar, sou capaz de escrever em qualquer lado. Dêem-me uma data de fecho e dêem-me sobretudo isto: uma semana de férias a dois dias de distância.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Sukkar Banat

Entornei salada de frutas nas calças; fiz aquelas figuras de perguntar ao funcionário da Fnac onde - ondeeee! - estava o DVD, com ele mesmo à frente dos olhos; ultrapassei o olhar condescendente do rapaz que me passou a caixa para as mãos; bloqueei aquelas máquinas maravilhosas de pagamento self service a tentar usar o multibanco... mas o Caramel é meu. E logo à noite (muito à noite, prevê-se que só lá para a uma da manhã), a Nadine Labaki e o seu Sukkar Banat não me escapam.
domingo, 1 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
Outro poema
má língua:
aquela que se porta bem
na minha boca
Bénédicte Houart, Vida: Variações (Livros Cotovia)
aquela que se porta bem
na minha boca
Bénédicte Houart, Vida: Variações (Livros Cotovia)
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Madrid
Foi um segundo round que quase começou por nem ser. No aeroporto, pouco passava das oito da manhã, a senhora do check-in recolhe os nossos quatro B.I.s e pergunta:
"Quem é a menina.................?"
E eu, de voz sumida, a achar já ai-que-é-desta-ela-leu-ali-uma informação-qualquer-e-vem-já-aí-a-polícia-deter-me-para-interrogatório, respondi:
"Sou eu, porquê? (o 'porquê' ainda mais sumido)
"É que a menina não viaja hoje."
O B.I. caducado. Caducado há sete dias, e eu que nem tinha olhado para ele senão para dizer: "Olha eu aqui tão jovem na fotografia." Parva, parva, parva.
Melhor mesmo só outra amiga na mesma situação, e a voz da senhora do check-in novamente:
"E quem é a menina.....................? A menina também não vai viajar hoje."
B.I. também caducado. Não há sete dias mas há três - três - meses.
E de repente já não éramos quatro miúdas a caminho de Madrid para um fim-de-semana prolongado, mas duas com bilhete para Madrid e duas a fazer a maratona para ir a casa e voltar com passaporte (esse sim, só caduca em 2010, uff).
No meio disto tudo, consegui ao menos fazer algo com que sempre sonhei, que foi atirar com as malas para dentro de um táxi e pôr um ar espavorido e aflito para dizer
"Temos de ir a este sítio e voltar em trinta minutos!"
(para a próxima será o "Siga aquele carro!")
E consegui. Perante os nervos do taxista, que cobrou a bandeirada mesmo antes de chegarmos só para ganhar tempo, a atirar as moedas para cima do banco, e que se despediu de mim com um "tudo de bom" tão sentido como se eu estivesse de partida para os jogos olímpicos, consegui. Nos últimos três minutos, mas consegui. E Madrid, que quase não esteve para ser, lá se concretizou.
Por lá, foi uma cidade que não me convenceu à primeira (apesar do Prado) a tentar convencer-me desta vez: pequenos-almoços com tostadas de manteiga e doce, à espanhola; a Calle Fuencarral loja sim loja sim; as tapas da Lateral; Juan, o príncipe das Astúrias, no bar com o pior escoamento de fumo do mundo; um mocca blanco no Starbucks todos os dias; o Retiro e aquele jardim só de rosas; a t-shirt do Banksy no Rastro (e a molha que apanhámos logo a seguir); a Calle Alcala feita de trás para a frente e de frente para trás porque a nossa querida anfitriã se enganou no número da porta em cem números; e, finalmente, o regresso a Lisboa. Sem contra-relógios desta vez.
"Quem é a menina.................?"
E eu, de voz sumida, a achar já ai-que-é-desta-ela-leu-ali-uma informação-qualquer-e-vem-já-aí-a-polícia-deter-me-para-interrogatório, respondi:
"Sou eu, porquê? (o 'porquê' ainda mais sumido)
"É que a menina não viaja hoje."
O B.I. caducado. Caducado há sete dias, e eu que nem tinha olhado para ele senão para dizer: "Olha eu aqui tão jovem na fotografia." Parva, parva, parva.
Melhor mesmo só outra amiga na mesma situação, e a voz da senhora do check-in novamente:
"E quem é a menina.....................? A menina também não vai viajar hoje."
B.I. também caducado. Não há sete dias mas há três - três - meses.
E de repente já não éramos quatro miúdas a caminho de Madrid para um fim-de-semana prolongado, mas duas com bilhete para Madrid e duas a fazer a maratona para ir a casa e voltar com passaporte (esse sim, só caduca em 2010, uff).
No meio disto tudo, consegui ao menos fazer algo com que sempre sonhei, que foi atirar com as malas para dentro de um táxi e pôr um ar espavorido e aflito para dizer
"Temos de ir a este sítio e voltar em trinta minutos!"
(para a próxima será o "Siga aquele carro!")
E consegui. Perante os nervos do taxista, que cobrou a bandeirada mesmo antes de chegarmos só para ganhar tempo, a atirar as moedas para cima do banco, e que se despediu de mim com um "tudo de bom" tão sentido como se eu estivesse de partida para os jogos olímpicos, consegui. Nos últimos três minutos, mas consegui. E Madrid, que quase não esteve para ser, lá se concretizou.
Por lá, foi uma cidade que não me convenceu à primeira (apesar do Prado) a tentar convencer-me desta vez: pequenos-almoços com tostadas de manteiga e doce, à espanhola; a Calle Fuencarral loja sim loja sim; as tapas da Lateral; Juan, o príncipe das Astúrias, no bar com o pior escoamento de fumo do mundo; um mocca blanco no Starbucks todos os dias; o Retiro e aquele jardim só de rosas; a t-shirt do Banksy no Rastro (e a molha que apanhámos logo a seguir); a Calle Alcala feita de trás para a frente e de frente para trás porque a nossa querida anfitriã se enganou no número da porta em cem números; e, finalmente, o regresso a Lisboa. Sem contra-relógios desta vez.
terça-feira, 27 de maio de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
Tiradas mágicas e sorrisos amarelos
Gostava de saber o que é que vem a seguir a um sorriso amarelo, mas não sei. Pura e simplesmente não sei o que fazer ou como reagir quando ouço a piada mais seca do mundo. Pior, quando ouço a mesma piada todas as semanas, e ela não tem graça nenhuma.
À sexta-feira, já sei. Se vou comprar o jornal ao pé do trabalho, já sei o que me espera. Chego ao quiosque, peço o Público, preparo-me para agarrar na carteira e tirar as moedas, quando o senhor do estaminé dá ares de que está à procura do preço no cimo da página e diz:
Ora beeeeeeeem. Como é para si - e só porque é para si, hein? - é um euro e trinta e cinco.
Exactamente o preço que lá está marcado. E é isto sempre. Sempre sempre que lá vou.
Nesta última sexta-feira então foi irreal. Já estava eu com a cara número 42, a pedir a todos os santinhos que ele não se saísse com aquela , que-eu-já-tenho-um-dia-difícil-porque-sexta-é-dia-de-fecho-e-esta-é-a-minha-hora-de-almoço-e-passo-bem-sem-pretendentes-a-comediantes-sem-graça-nenhuma, quando a criatura não só se sai com a mesma de sempre
Ora beeeeeeeem. Como é para si - e só porque é para si, hein? - é um euro e trinta e cinco
como ainda há alguém, que só pode ser alguém com muito pouca sorte na vida, que diz:
Epá, você é um mãos largas.
Por isso é que eu digo que não sei - não sei - o que é que vem a seguir ao sorriso amarelo. Não me sai nada, nem uma ideia genial nem uma tirada ainda mais mágica para resposta.
Como há bocado: ligo para um restaurante indiano, a perguntar se têm take away e como é que funciona, e quando pergunto se posso encomendar tudo o que está na ementa, o senhor indiano lá do outro lado da linha responde:
Sim, se quiser até me pode encomendar a mim.
E eu, claro, o que é que eu fiz? Respondi: "Haaaaaa haaaaaaa..."
Que é a versão telefónica do sorriso amarelo.
Pois.
À sexta-feira, já sei. Se vou comprar o jornal ao pé do trabalho, já sei o que me espera. Chego ao quiosque, peço o Público, preparo-me para agarrar na carteira e tirar as moedas, quando o senhor do estaminé dá ares de que está à procura do preço no cimo da página e diz:
Ora beeeeeeeem. Como é para si - e só porque é para si, hein? - é um euro e trinta e cinco.
Exactamente o preço que lá está marcado. E é isto sempre. Sempre sempre que lá vou.
Nesta última sexta-feira então foi irreal. Já estava eu com a cara número 42, a pedir a todos os santinhos que ele não se saísse com aquela , que-eu-já-tenho-um-dia-difícil-porque-sexta-é-dia-de-fecho-e-esta-é-a-minha-hora-de-almoço-e-passo-bem-sem-pretendentes-a-comediantes-sem-graça-nenhuma, quando a criatura não só se sai com a mesma de sempre
Ora beeeeeeeem. Como é para si - e só porque é para si, hein? - é um euro e trinta e cinco
como ainda há alguém, que só pode ser alguém com muito pouca sorte na vida, que diz:
Epá, você é um mãos largas.
Por isso é que eu digo que não sei - não sei - o que é que vem a seguir ao sorriso amarelo. Não me sai nada, nem uma ideia genial nem uma tirada ainda mais mágica para resposta.
Como há bocado: ligo para um restaurante indiano, a perguntar se têm take away e como é que funciona, e quando pergunto se posso encomendar tudo o que está na ementa, o senhor indiano lá do outro lado da linha responde:
Sim, se quiser até me pode encomendar a mim.
E eu, claro, o que é que eu fiz? Respondi: "Haaaaaa haaaaaaa..."
Que é a versão telefónica do sorriso amarelo.
Pois.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Um dia
Eu vinha contente, vinha com um brilhozinho nos olhos dizer que voltei a acreditar em finais felizes, e em pessoas que não nos dão um estalo na cara quando menos esperamos. Eu vinha quase cantarolante, leve, positiva, toda eu rouxinóis a cantar só porque uma amiga é a pessoa mais feliz do mundo por causa de um homem que até o pequeno-almoço lhe leva à cama.
Eu vinha fazer um elogio ao amor mesmo sem ter nada a ver com isso. Como esperei um dia, já não venho. Um dia basta para alguém que conhecemos e de quem gostamos ser magoado a valer.
Infelizmente.
Eu vinha fazer um elogio ao amor mesmo sem ter nada a ver com isso. Como esperei um dia, já não venho. Um dia basta para alguém que conhecemos e de quem gostamos ser magoado a valer.
Infelizmente.
sábado, 17 de maio de 2008
Uma dúvida
Se ele não me vê quando não está comigo, será que consegue perceber que a minha cara se ilumina quando ele aparece?
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Depois do primeiro cabelo branco...
... é sempre a descer.
Comprei hoje as minhas primeiras lentes de contacto.
Comprei hoje as minhas primeiras lentes de contacto.
Bombons
Todo o dia como o dia lá fora: cinzenta, triste, a remoer cá dentro uma desilusão que não é de agora mas que me magoa como se fosse (sei lidar com desilusões de amores, de trabalho, não sei lidar com desilusões de amigos). À minha volta, outras pessoas tristes, mais tristes do que eu. E uma gritaria que todos ouvimos vezes e vezes sem conta mas que não devia ser connosco.
Para compor o dia e o estado de espírito, os The National nos ouvidos em repeat, o menino a cantar
"Sometimes you get up and bake a cake or something,
Sometimes you stay in bed.
Sometimes you go la di da di da di da da
Til your eyes roll back into your head"
(e eu já sei que amanhã vou "la di da di da da", assobiar para o lado como se nada fosse, ignorar o que não me apetece resolver).
Ao chegar a casa, uma bela caixa de bombons embrulhada com um laço. E de repente o meu dia menos como o dia lá fora. Truuuuufas!
Agarrei numa mais bonita do que as outras, em chocolate branco, redonda como um berlinde e polvilhada com um açúcar brilhante. E antes que me pudesse sequer deliciar com o chocolate a derreter, zás, explodiu-se a trufa bonita na boca, cheia de um licor mais amargo que óleo de fígado de bacalhau e tão alcoólico que acho que se me fizerem agora o teste do balão, acusa.
Tenho medo de voltar à caixa e escolher outro bombom. Porque afinal os chocolates são como a vida real: tão bonitos, com tantas promessas, e explodem quando menos esperamos. Amargos que sei lá.
Para compor o dia e o estado de espírito, os The National nos ouvidos em repeat, o menino a cantar
"Sometimes you get up and bake a cake or something,
Sometimes you stay in bed.
Sometimes you go la di da di da di da da
Til your eyes roll back into your head"
(e eu já sei que amanhã vou "la di da di da da", assobiar para o lado como se nada fosse, ignorar o que não me apetece resolver).
Ao chegar a casa, uma bela caixa de bombons embrulhada com um laço. E de repente o meu dia menos como o dia lá fora. Truuuuufas!
Agarrei numa mais bonita do que as outras, em chocolate branco, redonda como um berlinde e polvilhada com um açúcar brilhante. E antes que me pudesse sequer deliciar com o chocolate a derreter, zás, explodiu-se a trufa bonita na boca, cheia de um licor mais amargo que óleo de fígado de bacalhau e tão alcoólico que acho que se me fizerem agora o teste do balão, acusa.
Tenho medo de voltar à caixa e escolher outro bombom. Porque afinal os chocolates são como a vida real: tão bonitos, com tantas promessas, e explodem quando menos esperamos. Amargos que sei lá.
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