segunda-feira, 28 de abril de 2008

The Man I Love

Some day he'll come along,
The man I love
And he'll be big and strong,
The man I love
And when he comes my way
I'll do my best to make him stay.

He'll look at me and smile
I'll understand
And in a little while,
He'll take my hand
And though it seems absurd,
I know we both won't say a word

Maybe I shall meet him Sunday
Maybe Monday, maybe not
Still I'm sure to meet him one day
Maybe Tuesday will be my good news day

He'll build a little home
Just meant for two,
From which I'll never roam,
Who would - would you?
And so all else above
I'm waiting for the man I love.

Sou tão fácil...

Gosto imediatamente de uma pessoa se vejo que ela gosta da minha cadela.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A primeira vez

Hoje, ao falar de Jacques Becker, um realizador português à beira dos 70 anos disse aos seus alunos:
"Se nunca viram nada dele, vejam os filmes que ele fez, sobretudo o Casque d'or e o Touchez pas au grisbi ". E parou, para continuar:
"Tenho inveja vossa. Se nunca tiverem visto. Inveja dessa primeira vez. Eu já só posso recordar, rever."
Isto deixou-me a pensar numa série de coisas... como é costume na minha cabeça, das mais problemáticas às mais parvas, incluindo naquela música dos Anberlin em que ele canta "I wanna be your last first kiss", verso que achei, durante muito tempo, o mais bonito que me poderiam dizer. Claro que são coisas diferentes, o maravilhamento da descoberta de um autor de eleição ou de uma obra-prima, e o começar uma história de amor. Mas a forma como eu encaro esse simples verso agora (antigamente era um sinal do maior devoção possível, hoje é um sinal de um apaixonado possessivo em potência), demonstra como a ideia de só haver uma primeira vez, uma só, já não é para mim o mesmo que era há uns tempos (ou então é apenas mais uma prova de que me encontro realmente no grau zero do romantismo).
Hoje, e cada vez mais, é quase angustiante pensar que só há realmente uma primeira vez para tudo. Que o que é complemente novo num momento, no seguinte já não o vai ser, e que é assim até à exaustão, com tudo. Repetição atrás de repetição.
Acho que isso explica porque é que é tão irritante e tem um travo tão desmancha prazeres quando nos contam o final de um filme no momento em que ainda mal o começámos a ver, ou porque é que é quase sempre tão desapontante experimentar algo que já tem, à partida, expectativas mais altas que o Everest.
Não sei... Acho que, resumindo e concluindo, fiquei com vontade de ver qualquer coisa do Jacques Becker. Nunca vi nada dele.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Minutos valiosos

Nunca gostei das estatísticas que, a partir de um valor absoluto, dividem os resultados por milhentas categorias e apresentam os valores esmiuçados como tão certos quanto os originais. Mas hoje, ao ler um artigo sobre o Cristiano Ronaldo na Visão, gostei ainda menos.
A partir de dados retirados da revista France Football, fiquei a saber que o Cristiano Ronaldo ganha, por ano, 19.5 milhões - milhões! - de euros. Isto já roça quase o insultuoso, mas dividido pelas tais milhentas categorias, ainda se torna mais penoso para o comum mortal que anda a penar todo o mês e a esticar cada centavo. Pois 19,5 milhões de euros são, nada mais nada menos que:
1.625 milhões por mês;
54.166 por dia;
6.770 por hora;
113 por minuto.
Cento e treze euros por minuto??? Cento e treze euros? Por minuto? O mesmo minuto que se gasta assim, num tirinho? Num minuto sou eu capaz de gastar 113 euros, agora ganhar… já é mais difícil.
Eu não percebo. Não percebo. Não percebo porque é que queimei as minhas pestaninhas a tirar um curso, porque é que trabalho horas extraordinárias, às vezes fins-de-semana, para isto. Para nem sequer aspirar à geração mil euros, porque para os mil ainda me falta um bocadinho.
E não percebo, não percebo, não percebo, Cristiano Ronaldo, porque é que quando me viste no CCB, não te deu o piripaque e não me quiseste adoptar. Eu tinha dito que sim.

sábado, 12 de abril de 2008

Almoços solitários

Quando aproveito a hora de almoço para tratar de burocracias, como ontem, é certo e sabido que vou ter de almoçar sozinha, a correr. Confesso que me deprime um bocadinho a ideia da garfada solitária, o não ter para onde olhar (em casa não me importo nada, tenho a televisão e mil dvds para ver), o não ter com quem falar. Nem é a ideia de estar sozinha, que tenho aprendido a valorizar nos últimos anos e que até me sabe bem, ao ponto de ter saudades quando é demasiada a informação e as solicitações e pouco o tempo para parar, pensar e estar sem ninguém por perto. Dizia eu que nem é a ideia de estar sozinha, é antes um desconforto de não saber onde pousar os olhos, de desvirtuar um acto que devia ser comunitário e de haver uma tendência para engolir tudo sofregamente, o que não é nem de longe aconselhável e me deixa quase sempre com azia.
É por isso que, quando tenho de ir almoçar sozinha, tenho um truque: procuro um mesa junto a um grupo (duas pessoas bastam) que esteja animado, e sento-me ao lado para ouvir a conversa. Não é bonito e vai contra uma das regras básicas das boas maneiras, eu sei, mas também nunca ouvi nada de especial - as pessoas falam da manhã que tiveram, do tempo, do fim-de-semana, do trabalho, aqui e ali de relações, de ralações e projectos. É uma distracção, de certa forma uma companhia.Mas ontem, quando na mirada (in)discreta procurei esse tal lugar, constatei que a grande maioria das pessoas estava a almoçar sozinha. Mesa sim mesa sim, num daqueles espaços abertos de restauração de centro comercial, seguiam-se almoços solitários, rápidos. Não sei se as razões eram as mesmas que as minhas, se toda a gente resolveu aproveitar para tratar de burocracias, se pura e simplesmente não têm companhia ou se estão fartas umas das outras e precisam desse tal tempo para parar, pensar e estar sem ninguém.Sei que foi uma constatação triste. Aqueles olhos parados num ponto do infinito ou distraídos numa revista ao lado do prato, no meio de um espaço tão cheio de gente, ficaram-me na cabeça. Talvez porque sinto actualmente uma solidão completamente diferente da que alguma vez senti até hoje, aquela solidão que a Clarice Lispector descreveu tão bem e que tem a ver com o facto de ninguém ser eu a não ser eu, e ninguém poder estar dentro da minha cabeça a não ser eu. O que não seria necessariamente mau ou triste, se não se desse o caso de nem eu, que sou a única pessoa que está na minha cabeça, perceber o que quero.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Tan-tan-ran-taaaan

Retiro o que escrevi no outro dia. O pior toque de telemóvel não é o som de um bebé a rir. O pior toque de telemóvel, eu ouvi hoje, é o da música da tourada.

"Tan-tan-ran-taaaaan
Tan-tan-tan-tan-tan-ran-taaaaaan"

Ainda esperei para ver se o dono do telemóvel em questão atendia o telefone com um exclamativo "Olé!", mas não, foi apenas com um tímido e normalíssimo "tou".
Pena não ter ali uma bandarilha à mão para mandar naquela direcção.
Só para entrar no jogo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

As pessoas que não nos querem ver felizes

Não acredito em bonecas vudu, em pragas, em mau-olhado, em invejas capazes de mexerem com a nossa felicidade (e darem cabo dela). Mas às vezes até acredito.
Há uns meses disseram-me “Espero que nunca sejas feliz.” Não liguei, desvalorizei, respondi que sabia que não era verdade, que era apenas da boca para fora e ia passar. Mas a réplica foi “não, não é da boca para fora, é o que penso. Espero que nunca sejas feliz.” Depois disso, não disse mais nada. Mas a verdade é que, volta e meia, esta frase volta para me atormentar.
Dizem que as pragas de ex-namorados são fortes e custam a passar. E eu até concedo que em matéria de amores a irracionalidade e o ciúme disparam mais depressa que um foguete em direcção às estrelas. Que é quase normal que se digam estas coisas quando a separação não é amigável, porque é impossível imaginar o nosso amor com outro amor ou dar-lhe uma palmadinha nas costas e falar sobre novas paixões. Perder numa relação não é perder num derby, a raiva e a dor de cotovelo não passam no dia seguinte. Nem no mês seguinte sequer (no Sexo e a Cidade a Charlotte defendia que o tempo de luto de uma relação deve ser calculado em função do total, e que para um namoro de dois anos é preciso um ano de luto, para três semanas uma semana e meia, e por aí fora… o que até faz algum sentido, apesar de pretender dar um lado exacto a uma “ciência” que não tem nada de exacto).
Enfim, a questão é quando a dor de cotovelo não passa NUNCA. Ou quando nem sequer vem de uma relação amorosa mas de um pretenso amigo, de um familiar ou de um conhecido. Quando há pessoas que pura e simplesmente não nos querem ver felizes.
Descobri que tenho uma veia assassina para com estas pessoas. Que se abrir bem os olhos descubro que há mais gente assim do que imaginaria, não só à minha volta mas à volta de pessoas de quem realmente gosto. Gente que se alimenta da nossa infelicidade, que espera o passo em falso para ser moralista, que ao perguntar como vai a vida responde um sonso “aaaaaaaaaannnnn” se dizemos que estamos maravilhosos e felizes. Pessoas que parece que se alimentam da desgraça alheia, como se a desgraça alheia lhes pudesse dar um sentimento de utilidade para salvar o desgraçado.
Acho que, odiando essas pessoas pelo seu egoísmo, devia desejar que nunca fossem felizes. Devia retribuir esse malfadado “espero que nunca sejas feliz.” Mas ainda assim continuo a querer é que vão à sua vidinha. Que sejam felizes e se esqueçam de mim no meio de tanta alegria. É isso, que se esqueçam de mim. Porque nunca se sabe o que um mau-olhado ou uma inveja cega podem fazer a uma pessoa.

domingo, 6 de abril de 2008

A primeira praia do ano

A primeira praia do ano foi hoje. Contra todas as previsões, domingo esteve melhor que sábado, pelo menos lá para as minhas bandas (oeste, sempre oeste), e depois de uma semana digna dos melhores dias de Junho e Julho, a abrir o apetite, era ver se alguém me demovia ou conseguia arrancar da praia ao mínimo sinal de sol.
Esteve bom, não tão bom como a semana prometia - veio o vento, vieram algumas nuvens, não fui à água - mas foi a primeira praia do ano. E a primeira praia do ano é um momento importante.
É o primeiro dia em que voltamos a cheirar o cheiro do creme protector, e cheira bem. O primeiro dia em que é mesmo suposto não fazer nada, nada, e ficar apenas de barriga esparramada ao sol. O primeiro dia em que voltam as primeiras sardas nas bochechas. O primeiro dia que de repente parece muito mais comprido, e dá para adormecer, conversar, dizer parvoíces e ler os semanários que no resto do ano ficam a agonizar pela semana fora. O primeiro dia em que se põe um chapéu na cabeça, uns óculos escuros, e se ganha automaticamente aquele ar de férias, nem que seja só por um dia. O primeiro dia em que se chega a casa com a pele diferente, e um cheiro a creme, areia, vento e maresia misturado. O primeiro dia em que o domingo à noite não tem aquele sabor horrível de segunda-feira de trabalho quase a chegar, porque estamos esbodegados mas sabe bem, e com um bom-humor vindo sabe-se lá de onde (aquilo da vitamina D só pode ser mesmo verdade).
A primeira praia do ano só tem um problema: deixa sempre vontade de mais. E agora sabe-se lá quando é que esse mais vai chegar...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Os anos 80 ainda vivem

Na semana passada, numa viagem de metro de regresso a casa, vinha em pé a maldizer as avarias do metro que prolongam a hora de ponta ad eternum, quando reparei numa coisa extraordinária. Uma criancinha nos seus cinco anos com a mãe, nos seus 30. Não havia nada, no quadro familiar, que chamasse a atenção à primeira vista: não eram bonitas, não estavam vestidas de fluorescente, e a miúda tinha o hábito que têm todos os miúdos que andam no metro: um lugar livre mas umas pernas irrequietas, passando mais tempo no intervalo entre as cadeiras do que no assento propriamente dito. Mas o que foi extraordinário foi o diálogo que se seguiu entre as duas. Primeiro, o reparo da mãe, quando disse para ela parar de espernear e incomodar os outros passageiros. Não foi "levas uma bofetada", não foi "pára quieta senão levas uma estampilha", não foi "vou chamar o papão" nem o homem do saco, nem nada dessas psicologias de meter medo que não metem medo nenhum. Disse apenas: "Porta-te bem, ou já sabes, é como na música", ao que a miúda desatou a cantar:

"Chamem a polícia, wow wow wow
Chamem a polícia."

E por aí fora.
Mas o melhor foi depois. Não bastava ir buscar os Trabalhadores do Comércio e esta música que nos fica na cabeça com mais força do que um piolho nos cabelos de um miúdo na colónia de férias. Não, todos os reparos que se seguiram foram feitos com base em músicas portuguesas dos anos 80. Todas. Até as duas saírem, foi um desfilar de cultura musical retro que eu tive vontade de me esbofetear e de perguntar à senhora como é que alguém com aquelas raízes horríveis no cabelo e aquele ar desmazelado tinha um método tão interessante de educar a criança. Porque depois do Chamem a Polícia, foi o comentário às ideias malucas da miúda: "Filha, não pode ser assim. Quando a cabeça não tem juízo..." E é claro que a pirralha sabia a resposta: "...O corpo é que paga."
E toma, numas três, quatro estações de metro, já estava Trabalhadores do Comércio 1 - António Variações 1.
Antes de elas saírem, ainda tive direito a um bocadinho do "chiclete (prova), chiclete (mastiga), chiclete (deita fora)", e tudo porque veio à baila a palavra pastilha.
Foi bonito de se ver. Bonito.
Os anos 80 ainda vivem.

As segundas feiras


quarta-feira, 26 de março de 2008

Um poema mais do que certo

"A esperança entre as urtigas
quanto mais crescer mais será
rasgada."

Pedro Mexia, in Senhor Fantasma (Ed. Oceanos)

domingo, 23 de março de 2008

Pode-se viver com um amor platónico?

Um amor que não é bem amor e que é tão velho que já devia ter ido para algum outro lugar?
E ficar feliz com uma mensagem que está a dezoito mil quilómetros de nós?

Sim.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Ironia

Quando decido ser forte, pragmática, bla bla bla, e não desatar numa choraminguice de "ninguém me ama", é quando o meu olho direito resolve, pela primeira vez na vida, ficar com uma inflamação. E é vê-lo todo o santo dia, há três dias, de lágrima pronta a saltar ou a rolar pela bochecha abaixo, à mínima brisa de vento.
É tudo mau: primeiro incomoda, e muito. Depois, borra-se a pintura toda, e a cara que sai impecável de casa fica a parecer um quadro do Jason Pollock. No metro, incorre-se no olhar de condescendência do passageiro do lado, que nos toma por uma coitadinha choramingas, a limpar os olhos de minuto a minuto; na rua, anda-se de óculos escuros quando a luz já é de lusco-fusco, praticamente cegueta.
Mas o pior de tudo, o que mais me irrita, é o timing. Quando uma pessoa decide ser dona das suas lágrimas e das suas tristezas - pum!, é quando o olho resolve chorar por si próprio.
E a mim só me ocorre que é realmente caso para dizer... p*** da ironia!

terça-feira, 18 de março de 2008

Bonjour tristesse*

Bonsoir tristesse.
Bonne nuit tristesse.
Au revoir tristesse.

Um dia é o máximo que permito.
Não vou dar importância a quem não me dá importância.
Porque não devia ser preciso esbracejar para me verem.
E quero ser arrebatada.

* título roubado à Françoise Sagan

sábado, 15 de março de 2008

sexta-feira, 14 de março de 2008

Café

São manhãs como esta, em que sinto os olhos quentes e a arder de sono, e o cérebro continua desligado mesmo depois de ter acordado há quatro horas, que me convenço que preciso de começar a tomar café. Café forte, nada daquelas imitações com leite, chocolate branco, natas e canela, tão americanos (e calóricos!) mas tão ao meu gosto. Café expresso. Café sem açúcar. Amargo.
Sim, amargo. A condizer com a manhã, que já estava a ser uma completa merda e acabou de ficar pior, porque soube que o Astoria vai fechar, ao que parece para dar lugar a uma nova linha de metro.
Se calhar em vez de um café preciso de uma anestesia geral. Ou de hibernar e só voltar a acordar em Junho.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Livros sublinhados

Hoje falámos de livros ao almoço, por entre o tupperware com as sobras do jantar da véspera (que isto da geração à rasca não é mentira, e para ter umas coisas é preciso poupar noutras). Falámos de livros e de sublinhar livros, e das frases-identificação, aquelas que lemos e nos levam a pensar "isto foi escrito para mim, isto é o que eu penso / o que eu sou / o que eu sinto".
Eu não sou de sublinhar muito (porque tenho aquela espécie de reverência para com o livro-objecto-santuário) mas lembrei-me dos diários do Miguel Torga. Porque são os livros mais sublinhados que eu devo ter e, atrevo-me a dizer, os melhores de memórias escritos em português (também não há muitos, é verdade).
É que o Torga tem tudo: páginas e páginas sobre a morte e o sentido da vida. Aquela angústia da ausência de um deus e da missão de criar do artista. O amor mais que umbilical à terra natal, à terra-terra, à urze. Os dias ou as sensações contados em poemas, que parecem tão espontâneos e fáceis de escrever como um sms, em Coimbra, na cadeia do Aljube ou em incontáveis viagens. O facto dele não se abrir com ninguém e ser meio avarento mas depois dar consultas gratuitas. O quotidiano retratado com tanta desenvoltura de escrita. Haver ali uma solidão enorme e um enorme medo de não conseguir viver a vida.
E agora quando chego a casa vou buscar os dois calhamaços que reúnem os diários todos, abro ao acaso o primeiro volume e sublinhado encontro isto:

"O homem, embora às vezes pareça o contrário, é modesto. Inventa dois mil caracteres e serve-se apenas de vinte ou trinta. Descobre a metafísica, o cálculo diferencial, a lógica formal, a botânica, mas fala quotidianamente de coisas triviais. De pão, de vinho e de pantufas."

E como me entusiasmo a ler umas frases aqui e ali outra vez, deixo queimar o jantar no forno.

terça-feira, 11 de março de 2008

Porquê?

Mas porquê, expliquem-me, é que sempre - sempre - que ando de autocarro há alguém que tem como toque de telemóvel o som de um bebé a rir? Quem disse que era giro? Quem disse que nos alegrava o dia? Quem permitiu ter uma GA GA GA! HI HI HI! a irromper vindo do nada, aos gritos no banco de trás, capaz de nos provocar uma síncope?
Credo.

Apetece-me

Dormir toda a semana.
Ou ter tempo para ler o jornal de manhã.
Ir viver para fora de Lisboa.
Andar mais a pé (sem ser a correr).
Estar com quem quero estar sem ter de dar justificações.
Fazer uma maratona de dvds em casa.
Comer uma caixa de trufas.
Voltar a ler livros de filosofia.
Ir ver os Copeland a Chicago.
Passar mais tempo com a minha gata e com a cadela.
Comprar dois relógios de marca num mês sem me sentir culpada.
Visitar um sítio completamente novo e arrebatador.
Deixar de querer que tu me procures.
Ir às sessões das 15.30 da Cinemateca.
Dançar.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Nem mais...

"O verdadeiro amor é dar o que não se tem a alguém que não o quer."

in Turbo-Folk, criação do Teatro Praga.
No São Luiz até 15 de Março.

domingo, 9 de março de 2008

É melhor começares a plantá-las hoje...


Ontem foi Dia da Mulher. Na sexta já andavam no Chiado a distribuir rosas vermelhas. Apesar de ter feito a Rua Augusta de uma ponta a outra, para cima e para baixo, não me calhou nenhuma. Ninguém me ofereceu uma flor ou um crachá ou uma espiga sequer. Pensando nisso, ninguém me oferece uma flor há muito muito tempo.
Também não fez mal. Porque no ponto em que me encontro, o grau zero do romantismo, não basta que me ofereçam uma flor. Ou um ramo de flores.
Um campo inteiro pode ser.
Já disse que as minhas preferidas são margaridas brancas?

quinta-feira, 6 de março de 2008

Meo

Hoje vieram instalar o Meo cá a casa. É um longo processo. São muitos fios, muito cabo, muito arrastar de móveis, muito pó, muito parafuso, muito suspiro do técnico. Uma caixinha lá fora para o sinal não sei de quê, uma extensão cá dentro para comunicar com a caixinha lá de fora, um router num canto da sala, uma box no outro. Ao início da tarde a cadela a ladrar, a uivar e a rosnar sempre que o técnico mudava de divisão. Ao final da noite o senhor a ver o prolongamento e os penaltis do Porto connosco, e até a trincar um bolinho.
E eu o tempo todo a pensar: às dez e meia tem de estar tudo a funcionar para eu ver o Dexter, às dez e meia tem de estar tudo a funcionar para eu ver o Dexter, às dez e meia tem de estar tudo a funcionar para eu ver o Dexter, ...
Mas o momento alto de toda a operação foi quando o técnico quis testar o sinal do telefone e deu por si a olhar para uma Hello Kitty cor de rosa em cima de um móvel, e a perguntar, de ar incrédulo e dedinho tímido em riste: "o telefone é... esta... coisinha?"
É. Somos duas mulheres adultas cá em casa e o telefone é uma Kitty do tamanho de um frasco de compota, uma Kitty vestida de cor de rosa e que se abre ao meio para falar. Foi o único telefone que sobreviveu a uma descarga de electricidade, os que usávamos eram outros - respeitáveis, cinzentos, portáteis - mas claro que o senhor não sabe disto.
E parece-me que "coisinha" é uma forma simpática de nos chamar loucas e pirosonas.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Calorias indecisas

Entre o send e o não send, entre ter e não ter tomates, foi-se um saco inteirinho de gomas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Afinal

Passei uma semana inteira cheia de sono, sem genica nenhuma para nada, e afinal bastava ter feito um telefonema.