sábado, 2 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Godard, o meu Godard
Desde a nossa separação que ele não pára de citar o À Bout de Souffle para a frente e para trás, quase cena a cena, exaustivamente. É bom pensar que uma relação possa ter servido ao menos para dar a conhecer um filme tão maravilhoso como esse (uma vez que fui eu que lho mostrei quando ele nem sonhava com cinema francês), mas nesta fase há qualquer coisa de errada. Se eu penso em Godard por estes dias penso já mais à frente, em Le Mépris e no homem que não faz nada para reconquistar a mulher e impedir a decadência do amor. E penso sobretudo na relação excessiva, condenada e de amor-ódio do próprio Godard com a Anna Karina, que toda a gente viu espelhada nesse filme.
Sim, é isso. Amor-ódio é a minha nova expressão preferida.
Mas só até acabar 2009.
Sim, é isso. Amor-ódio é a minha nova expressão preferida.
Mas só até acabar 2009.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Parafusos
Hoje, quando apertar os últimos parafusos da cómoda da casa nova a minha vida sai oficialmente dos sacos de lona do ikea. Demorei um mês a chegar aqui, mas agora (pelo menos teoricamente) quero crer que tudo ficará no seu lugar. E eventualmente que eu própria também vou voltar a encontrar as minhas gavetas e os meus parafusos e o meu lugar.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Eu hoje acordei assim
I... I used to make long speeches to you after you left. I used to talk to you all the time, even though I was alone. I walked around for months talking to you. Now I don't know what to say. It was easier when I just imagined you. I even imagined you talking back to me. We'd have long conversations, the two of us. It was almost like you were there. I could hear you, I could see you, smell you. I could hear your voice. Sometimes your voice would wake me up. It would wake me up in the middle of the night, just like you were in the room with me. Then... it slowly faded. I couldn't picture you anymore. I tried to talk out loud to you like I used to, but there was nothing there. I couldn't hear you. Then... I just gave it up. Everything stopped. You just... disappeared. And now I'm working here. I hear your voice all the time.
Every man has your voice.
(Paris, Texas)
Every man has your voice.
(Paris, Texas)
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O que eu gostava
Escrevi este texto há cerca de dois meses, mais ou menos quando também escrevi aquele sobre as declarações de amor de todos os dias. Encontrei-o hoje, a limpar o computador de coisas que têm mesmo de desaparecer. Na altura não o publiquei porque não queria que fosse verdade, porque não podia ser verdade. Publico-o agora para me lembrar como era aquela tristeza diferente desta tristeza mas, ainda assim, tristeza. Para me lembrar disto todos os dias. Todos os dias até finalmente perceber que o amor não é tudo e que o amor não pode nada contra alguém que não sabe nem quer aprender a gostar.
O que eu gostava
Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Que há semanas em que me apetece chorar todos os dias. Que às vezes me sinto igual a toda a gente, que não me sinto eu ultimamente, que houve aqui um botão qualquer que se avariou e eu ainda não consegui perceber qual é e não tenho caixa de ferramentas. Gostava de poder pegar no telefone e contar que às vezes soluço como quando era pequena. Que tenho saudades das minhas músicas mas não tenho vontade de as ouvir. Que me sinto cansada e desmotivada mas não há mais nada que eu gostasse de fazer. Gostava de ter coragem para dizer que não me sinto em casa e que apesar de querer construir uma casa demoro tempo a encontrar o meu lugar num lugar diferente do dos últimos 25 anos. Gostava de não sentir que tenho obrigação de parecer feliz todos os dias, que tenho de festejar as datas redondas só porque o calendário diz que sim. Gostava de não estar no meio de sítio nenhum, entre as borboletas e a estabilidade. Gostava de voltar a acreditar. Gostava de sentir que posso ser eu, que posso ter coragem e admitir que ando triste e ninguém vai fugir. Gostava que não se esquecessem das promessas que me fazem e que não se esquecessem de dizer olá de vez em quando. Gostava de ser menos perfeccionista e aliviar um pouco a pressão que ponho sobre mim mesma. Gostava de poder reclamar por a luz estar acesa e isso não fazer de mim uma pessoa chata, apenas presente. Gostava de saltar o Inverno e passar um mês inteiro ao sol. Gostava de conseguir apagar a imagem da minha cadela a morrer, que tanto me tem assombrado nos últimos dias. Gostava de saber o que dizer mais vezes. Gostava que não fosse tão difícil estar de repente com quem me faz falta. Gostava de acreditar que vou voltar a ser optimista. Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Mas se o disser alto passa a ser verdade.
O que eu gostava
Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Que há semanas em que me apetece chorar todos os dias. Que às vezes me sinto igual a toda a gente, que não me sinto eu ultimamente, que houve aqui um botão qualquer que se avariou e eu ainda não consegui perceber qual é e não tenho caixa de ferramentas. Gostava de poder pegar no telefone e contar que às vezes soluço como quando era pequena. Que tenho saudades das minhas músicas mas não tenho vontade de as ouvir. Que me sinto cansada e desmotivada mas não há mais nada que eu gostasse de fazer. Gostava de ter coragem para dizer que não me sinto em casa e que apesar de querer construir uma casa demoro tempo a encontrar o meu lugar num lugar diferente do dos últimos 25 anos. Gostava de não sentir que tenho obrigação de parecer feliz todos os dias, que tenho de festejar as datas redondas só porque o calendário diz que sim. Gostava de não estar no meio de sítio nenhum, entre as borboletas e a estabilidade. Gostava de voltar a acreditar. Gostava de sentir que posso ser eu, que posso ter coragem e admitir que ando triste e ninguém vai fugir. Gostava que não se esquecessem das promessas que me fazem e que não se esquecessem de dizer olá de vez em quando. Gostava de ser menos perfeccionista e aliviar um pouco a pressão que ponho sobre mim mesma. Gostava de poder reclamar por a luz estar acesa e isso não fazer de mim uma pessoa chata, apenas presente. Gostava de saltar o Inverno e passar um mês inteiro ao sol. Gostava de conseguir apagar a imagem da minha cadela a morrer, que tanto me tem assombrado nos últimos dias. Gostava de saber o que dizer mais vezes. Gostava que não fosse tão difícil estar de repente com quem me faz falta. Gostava de acreditar que vou voltar a ser optimista. Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Mas se o disser alto passa a ser verdade.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Correr
Segundo as interpretações de sonhos que andam aí pela internet, correr tem vários significados. Tanto pode ser sinal de felicidade eterna se a pessoa não encontrar obstáculos pela frente (hmmmm, não me parece), como pode ser um bom presságio, se for em direcção a um objectivo. Ora, como as coisas andam, fico-me pela terceira explicação: "Correr para fugir corresponde a uma derrota futura. Indica também a fuga de uma ansiedade causada por distúrbios que não se conseguem vencer."
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Acho que sou o novo Forrest Gump
Só me apetece correr. Tanto que até sonho com isso. E com saltar à corda.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Copeland #4
I found your life in grey and white and never thought I'd color it.
And love put up an awful fight.
You never made your peace with it.
So stay where you are. And hold what you love.
And feel what you want. And know all the while.
Don't hurt 'til it's done.
And love put up an awful fight.
You never made your peace with it.
So stay where you are. And hold what you love.
And feel what you want. And know all the while.
Don't hurt 'til it's done.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Lado B
A Joan as Police Woman escreveu uma canção que se chama "Start of my heart", onde canta sobre alguém que a mudou e que conseguiu acordar-lhe o coração e salvá-la como se ela fosse um origami.
Eu sou o lado B dessa canção. Em vez de start eu sou o end, o off. E a minha folha de papel não deu um origami nenhum nem nada que pudesse ser salvo. Foi passada pela máquina trituradora e só ficaram as tiras. Tiras que vão precisar de muito tempo e vão dar muito trabalho a colar. (Se é que ainda dá para as encontrar e as colar a todas.)
Eu sou o lado B dessa canção. Em vez de start eu sou o end, o off. E a minha folha de papel não deu um origami nenhum nem nada que pudesse ser salvo. Foi passada pela máquina trituradora e só ficaram as tiras. Tiras que vão precisar de muito tempo e vão dar muito trabalho a colar. (Se é que ainda dá para as encontrar e as colar a todas.)
Do livro que estou a ler
"Queria crer que todos tivessem de se estranhar tantas vezes diante do espelho e da vida. Que, para todos, viver também era uma questão de recomeços e recomeços e recomeços. Ou seria uma exclusividade sua? Seria?"
in Suíte Dama da Noite, de Manoela Sawitzki (ed. Cotovia)
in Suíte Dama da Noite, de Manoela Sawitzki (ed. Cotovia)
domingo, 29 de novembro de 2009
Stick Boy & Match Girl In Love
Stick Boy liked Match Girl,he liked her a lot.
He liked her cute figure,
He though she was hot.
But could a flame ever burnfor a match and a stick?
It did quite literally:
he burned up pretty quick.
in The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories, by Tim Burton (e ai de mim se não vou a Nova Iorque ver a exposição no Moma até final de Abril)
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Eu sabia que o Ikea era muito prático
Só não sabia que a minha vida dos últimos meses cabia toda em meia dúzia daqueles sacos de lona.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Declarações de amor todos os dias
No outro dia estávamos a fazer zapping e apanhámos um bocadinho do filme o Sexo e a Cidade, naquela parte em que a Carrie se vai deitar ao lado do Big e lê algumas cartas do livro Love Letters of Great Men. São cartas desesperadas, com aquele amor de morrer igual ao do Camilo Castelo Branco e que enlouquece homens que nunca imaginaríamos que perdessem minutos a exclamar juras de amor, quanto mais a escrevê-las, como Napoleão ou Beethoven. Nessa cena, a Carrie pergunta ao Big se ele alguma vez lhe escreveu uma carta de amor, ao que ele pergunta se um fax também conta, ainda por cima enviado pela secretária e não por ele. E depois ele diz uma coisa que é acertada, mas que não devia estar correcta: que aqueles homens diziam aquelas coisas porque estavam longe das amadas e os amores eram difíceis. Basicamente, que havia tempo para ter saudades.
Isto deixou-me a pensar nas declarações de amor de todos os dias, e no facto de serem tão raras. As pessoas que se vêem todos os dias tendem a esquecer-se de dizer "amo-te", "adoro-te", "gosto de ti "ou "estás bonita(o)" (e já nem falo de expressões como "minha vida", "meu tudo" e "meu próprio ser", como está nessas cartas). Assumem que por estarem perto todos os dias não é preciso dizer. Que comprar cartões, flores, enviar mensagens românticas ou mandar saudades a meio do dia são gestos só dos primeiros tempos de namoro ou das efemérides, no resto do tempo não são precisos. Como se não fosse necessário cortejar, surpreender e dizer simplesmente que há paixão só porque se vai para a mesma casa ao final do dia, se dorme na mesma cama ou se vai ao supermercado fazer as compras do mês. E não devia ser assim porque o amor de todos os dias é na verdade muito mais complicado do que o amor da distância, das saudades, das cartas apaixonadas.
Viver todos os dias é ver o melhor e o pior. A cara antes da maquilhagem, as olheiras antes do café, o jantar queimado no tacho, o pijama foleiro, o robe de avó e as calças entaladas nas meias quando aperta o frio. É levar com os nervos do dia-a-dia, a gritaria do trabalho ainda a fazer eco em casa, as dúvidas, a depressão de inverno, as manias e tiques e limpezas.
O Byron é que dizia: "é mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela". Porque viver é que é a grande prova. O grande amor. E o que eu quero dizer é: o amor nunca devia ser tomado como um pressuposto - a célebre desculpa "claro que gosto de ti, senão não estava contigo". O amor deve ser dito em voz alta, manifestado em actos loucos e românticos de vez em quando, enviado por mensagem, escrito num telegrama, num espelho, no pó dos móveis, se for preciso. O amor deve ser dito em voz alta mesmo quando se está lado a lado. Mesmo não: sobretudo quando se está ao lado.
Isto deixou-me a pensar nas declarações de amor de todos os dias, e no facto de serem tão raras. As pessoas que se vêem todos os dias tendem a esquecer-se de dizer "amo-te", "adoro-te", "gosto de ti "ou "estás bonita(o)" (e já nem falo de expressões como "minha vida", "meu tudo" e "meu próprio ser", como está nessas cartas). Assumem que por estarem perto todos os dias não é preciso dizer. Que comprar cartões, flores, enviar mensagens românticas ou mandar saudades a meio do dia são gestos só dos primeiros tempos de namoro ou das efemérides, no resto do tempo não são precisos. Como se não fosse necessário cortejar, surpreender e dizer simplesmente que há paixão só porque se vai para a mesma casa ao final do dia, se dorme na mesma cama ou se vai ao supermercado fazer as compras do mês. E não devia ser assim porque o amor de todos os dias é na verdade muito mais complicado do que o amor da distância, das saudades, das cartas apaixonadas.
Viver todos os dias é ver o melhor e o pior. A cara antes da maquilhagem, as olheiras antes do café, o jantar queimado no tacho, o pijama foleiro, o robe de avó e as calças entaladas nas meias quando aperta o frio. É levar com os nervos do dia-a-dia, a gritaria do trabalho ainda a fazer eco em casa, as dúvidas, a depressão de inverno, as manias e tiques e limpezas.
O Byron é que dizia: "é mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela". Porque viver é que é a grande prova. O grande amor. E o que eu quero dizer é: o amor nunca devia ser tomado como um pressuposto - a célebre desculpa "claro que gosto de ti, senão não estava contigo". O amor deve ser dito em voz alta, manifestado em actos loucos e românticos de vez em quando, enviado por mensagem, escrito num telegrama, num espelho, no pó dos móveis, se for preciso. O amor deve ser dito em voz alta mesmo quando se está lado a lado. Mesmo não: sobretudo quando se está ao lado.
domingo, 1 de novembro de 2009
Conversa sobre o clima
Ando como o tempo lá fora. Às vezes quente - parece que o Verão não quer ir embora - às vezes demasiado abafada (sufoco), às vezes a chover cinco dias sem parar. E se a instabilidade do clima lá fora me faz mal à sinusite, imagine-se o que a outra me faz cá dentro.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
O Outono chegou
E isso não se vê nem pela chuva nem pelas castanhas assadas, mas sim pelo cheiro a naftalina no autocarro.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A ervilha
Quando a minha cadela ficou doente e teve de ser operada de urgência, o meu coração ficou do tamanho de uma ervilha.
Agora a minha cadela morreu e nem ervilha, nem noz, nem esparregado de ervilha, nem nada. Não sei descrever como tenho o coração porque a única coisa que sinto é o espaço onde ele estava.
Uma ervilha ao pé disto era uma grande coisa.
Agora a minha cadela morreu e nem ervilha, nem noz, nem esparregado de ervilha, nem nada. Não sei descrever como tenho o coração porque a única coisa que sinto é o espaço onde ele estava.
Uma ervilha ao pé disto era uma grande coisa.
domingo, 23 de agosto de 2009
As coisas que se aprendem na vida de casada
Jogar matraquilhos com a aliança posta faz bolhas nos dedos.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Desconhecia a rivalidade que há entre o Algarve e Lisboa…
…até assistir a uma discussão entre um louletano e uma lisboeta, e à mínima ele atirar: “Vens para aqui armada em dondoca, vai mas é para Lisboa comer pão no metro.
E agora eu pergunto: a relação entre Lisboa e o metro eu até percebo. Mas a relação entre Lisboa, o metro e comer pão – pão, carcaça, bola, papo-seco, baguete, cacete – essa ultrapassa-me.
Alguém me explica, por favor?
E agora eu pergunto: a relação entre Lisboa e o metro eu até percebo. Mas a relação entre Lisboa, o metro e comer pão – pão, carcaça, bola, papo-seco, baguete, cacete – essa ultrapassa-me.
Alguém me explica, por favor?
terça-feira, 4 de agosto de 2009
A atenção dos homens quando jogam Playstation
Fomos de férias. Eu, ele, e os nossos animais de estimação: a minha cadela e a Playstation.
Foram umas férias bonitas. Muita praia, muito sol, muito mar e mergulhos intermináveis. Eu, que tenho a mania de que nem gosto lá muito de policiais, atirei-me à trilogia do Stieg Larsson e li novecentas páginas em menos de 15 dias. Ele, que ainda não tem uma consola de jogos porque ainda não temos televisão na casinha nova, agarrou-se à Playstation emprestada pelo meu irmão.
Depois de 15 dias num romântico triângulo amoroso com a Playstation, eu podia chegar aqui e escrever um tratado sobre como os homens não conseguem fazer mais nada quando estão a jogar àquilo. Podia, mas temo que a blogosfera tenha um limite de caracteres por post que não me permita a explanação de toda a minha tese. Por isso conto este episódio, que acaba por conseguir dizer tudo:
É final de tarde, quase noite. Estamos em casa depois de uma tarde passada na praia. Eu saio da casa de banho com o duche já tomado, o creme posto, a franja esticada com o secador. Ele continua a jogar um jogo de corridas de rua, tal e qual como o tinha deixado antes de ir ler para a espreguiçadeira, tomar banho, lanchar e lavar o biquíni. Eu digo:
- Já estou pronta, podes ir à casa de banho.
Ele não responde, fica em silêncio.
Eu espero, até que volto a perguntar:
- Não me estás a ouvir, pois não?
E ele responde:
- Posso.
E com isso diz tudo.
(Mas sim, foram umas belas férias)
Foram umas férias bonitas. Muita praia, muito sol, muito mar e mergulhos intermináveis. Eu, que tenho a mania de que nem gosto lá muito de policiais, atirei-me à trilogia do Stieg Larsson e li novecentas páginas em menos de 15 dias. Ele, que ainda não tem uma consola de jogos porque ainda não temos televisão na casinha nova, agarrou-se à Playstation emprestada pelo meu irmão.
Depois de 15 dias num romântico triângulo amoroso com a Playstation, eu podia chegar aqui e escrever um tratado sobre como os homens não conseguem fazer mais nada quando estão a jogar àquilo. Podia, mas temo que a blogosfera tenha um limite de caracteres por post que não me permita a explanação de toda a minha tese. Por isso conto este episódio, que acaba por conseguir dizer tudo:
É final de tarde, quase noite. Estamos em casa depois de uma tarde passada na praia. Eu saio da casa de banho com o duche já tomado, o creme posto, a franja esticada com o secador. Ele continua a jogar um jogo de corridas de rua, tal e qual como o tinha deixado antes de ir ler para a espreguiçadeira, tomar banho, lanchar e lavar o biquíni. Eu digo:
- Já estou pronta, podes ir à casa de banho.
Ele não responde, fica em silêncio.
Eu espero, até que volto a perguntar:
- Não me estás a ouvir, pois não?
E ele responde:
- Posso.
E com isso diz tudo.
(Mas sim, foram umas belas férias)
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