terça-feira, 13 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Estamos apaixonados outra vez
Estamos apaixonados outra vez. Há dois meses. Com mensagens de saudades uma hora depois de nos vermos, coelhos da Páscoa de chocolate partilhados no sofá, maratonas de séries e filmes até de madrugada, passeios de mão dada por todo o lado em que a mão nunca se larga, noites em colherzinha ou cadeirinha (qualquer uma das expressões é tão parva e tão boa), planos para Abril, para Maio, para Junho, para o fim do ano. Eu sei que não acreditava em reconciliações. Que disse que há males que nunca se curam por mais que se viva. Que as pessoas não mudam. Que há coisas que se partem e que são impossíveis de voltar a colar e nunca mais ficam as mesmas. Mas agora apetece-me escrever que as relações crescem, como as pessoas e os cabelos. Que afinal nem a maior das desilusões é irrecuperável, se o sentimento continua lá e continua em pé apesar de toda a pancada, e é recíproco. Que é normal ter altos e baixos e desanimar quando o baixo está tão baixo mas tão baixo que parece que nunca mais vai voltar a subir. Que a pessoa que nos fez dizer que estamos fartos de surpresas pode ser a pessoa que nos deixa outra vez com aquela ansiedade idiota na barriga. Que é preciso saber reconquistar uma pessoa tanto quanto é preciso saber deixar-se ser reconquistado. Que estou uma lamechas e uma peganhenta outra vez e que se me pedirem conselhos amorosos e me ouvir a mim própria em voz alta vou parecer saída directamente da história da Branca de Neve ou da Pocahontas. Mas não me importo. Porque tudo é infinitamente melhor assim.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Está visto
Este blogue vive do meu coração estilhaçado. Se estou bem ou quase feliz (aí está uma palavra que não pensei voltar a empregar tão cedo), fico tão produtiva como um koala agarrado a um eucalipto.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Uma anedota sobre o amor
No primeiro número da revista Love (que saiu sensivelmente há um ano mas eu só estou a ler agora, tão típico meu), perguntaram ao director editorial da Interview qual era a melhor e a pior forma de mostrarmos a alguém o nosso amor.
E ele respondeu isto (tão bom):
"What's the old joke? If you love someone set them free.
And if they don't come back, hunt them down and kill them."
E ele respondeu isto (tão bom):
"What's the old joke? If you love someone set them free.
And if they don't come back, hunt them down and kill them."
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Está a chover há dois meses
Devem ter partido o coração ao São Pedro mais ou menos na mesma altura em que me partiram o meu.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Realizei um sonho de miúda
Comprei uma saia cheia de penas pretas. É para usar numa festa, sim, mas entretanto vou só ali dançar uns passinhos do Lago dos Cisnes e já volto.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Disponibilidade
Antigamente eu não pensava assim. Antigamente eu não achava que o amor podia ser uma questão de disponibilidade. Não eram palavras que rimassem. Amor é amor, achava eu. É amor no Pólo Norte ou no Equador, no Inverno ou no Verão, de dia ou de noite. Não havia um tempo para o amor, na minha cabeça. Amor era amor, capaz de surgir no meio de um tremor de terra ou de um assalto, se fosse preciso.
Agora não é assim. Agora pensar em disponibilidade faz sentido. Agora vejo que há momentos em que é impossível o amor. É impossível abrir o coração quando nem se sabe onde ele anda. É impossível pensar em dar, ou mesmo em receber, quando há apenas cansaço. Quando a palavra esforço entra na equação. Quando o amor não é maluco e doido como quem se atira de um avião com pára-quedas porque simplesmente não há força para dar o salto, mesmo equipado. Agora eu olho para trás e acho que quando duas pessoas se apaixonam e começam uma relação com uma disponibilidade completamente diferente para o amor uma das duas vai herdar um cansaço que não é o seu.
Eu herdei um cansaço que não tinha a ver comigo, que não era eu, que não tinha sido eu. Não é justo, mas é verdade. E sei agora que o amor pode muita coisa mas não pode tudo. Pode adiar o cepticismo, pode contornar a sensação de fracasso, pode entusiasmar-se durante uns tempos, mas se começar cansado, vai acabar cansado.
Por isso perguntam-me por amores, por interesses, por jantares a quatro ou por ocasiões para apresentar não sei quem, como se estar sozinha fosse algo que tivesse de ser resolvido o quanto antes. Como se fosse quase contagioso. Mas eu não quero. Não agora. Não com o meu coração cansado e com os meus sonhos cansados e esta sensação de que alguma coisa se partiu e pode não ter conserto.
Porque agora sei que sim, o amor também é uma questão de disponibilidade. Que nem sempre se tem.
Agora não é assim. Agora pensar em disponibilidade faz sentido. Agora vejo que há momentos em que é impossível o amor. É impossível abrir o coração quando nem se sabe onde ele anda. É impossível pensar em dar, ou mesmo em receber, quando há apenas cansaço. Quando a palavra esforço entra na equação. Quando o amor não é maluco e doido como quem se atira de um avião com pára-quedas porque simplesmente não há força para dar o salto, mesmo equipado. Agora eu olho para trás e acho que quando duas pessoas se apaixonam e começam uma relação com uma disponibilidade completamente diferente para o amor uma das duas vai herdar um cansaço que não é o seu.
Eu herdei um cansaço que não tinha a ver comigo, que não era eu, que não tinha sido eu. Não é justo, mas é verdade. E sei agora que o amor pode muita coisa mas não pode tudo. Pode adiar o cepticismo, pode contornar a sensação de fracasso, pode entusiasmar-se durante uns tempos, mas se começar cansado, vai acabar cansado.
Por isso perguntam-me por amores, por interesses, por jantares a quatro ou por ocasiões para apresentar não sei quem, como se estar sozinha fosse algo que tivesse de ser resolvido o quanto antes. Como se fosse quase contagioso. Mas eu não quero. Não agora. Não com o meu coração cansado e com os meus sonhos cansados e esta sensação de que alguma coisa se partiu e pode não ter conserto.
Porque agora sei que sim, o amor também é uma questão de disponibilidade. Que nem sempre se tem.
domingo, 10 de janeiro de 2010
E hoje acordei assim...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Godard, o meu Godard
Desde a nossa separação que ele não pára de citar o À Bout de Souffle para a frente e para trás, quase cena a cena, exaustivamente. É bom pensar que uma relação possa ter servido ao menos para dar a conhecer um filme tão maravilhoso como esse (uma vez que fui eu que lho mostrei quando ele nem sonhava com cinema francês), mas nesta fase há qualquer coisa de errada. Se eu penso em Godard por estes dias penso já mais à frente, em Le Mépris e no homem que não faz nada para reconquistar a mulher e impedir a decadência do amor. E penso sobretudo na relação excessiva, condenada e de amor-ódio do próprio Godard com a Anna Karina, que toda a gente viu espelhada nesse filme.
Sim, é isso. Amor-ódio é a minha nova expressão preferida.
Mas só até acabar 2009.
Sim, é isso. Amor-ódio é a minha nova expressão preferida.
Mas só até acabar 2009.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Parafusos
Hoje, quando apertar os últimos parafusos da cómoda da casa nova a minha vida sai oficialmente dos sacos de lona do ikea. Demorei um mês a chegar aqui, mas agora (pelo menos teoricamente) quero crer que tudo ficará no seu lugar. E eventualmente que eu própria também vou voltar a encontrar as minhas gavetas e os meus parafusos e o meu lugar.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Eu hoje acordei assim
I... I used to make long speeches to you after you left. I used to talk to you all the time, even though I was alone. I walked around for months talking to you. Now I don't know what to say. It was easier when I just imagined you. I even imagined you talking back to me. We'd have long conversations, the two of us. It was almost like you were there. I could hear you, I could see you, smell you. I could hear your voice. Sometimes your voice would wake me up. It would wake me up in the middle of the night, just like you were in the room with me. Then... it slowly faded. I couldn't picture you anymore. I tried to talk out loud to you like I used to, but there was nothing there. I couldn't hear you. Then... I just gave it up. Everything stopped. You just... disappeared. And now I'm working here. I hear your voice all the time.
Every man has your voice.
(Paris, Texas)
Every man has your voice.
(Paris, Texas)
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O que eu gostava
Escrevi este texto há cerca de dois meses, mais ou menos quando também escrevi aquele sobre as declarações de amor de todos os dias. Encontrei-o hoje, a limpar o computador de coisas que têm mesmo de desaparecer. Na altura não o publiquei porque não queria que fosse verdade, porque não podia ser verdade. Publico-o agora para me lembrar como era aquela tristeza diferente desta tristeza mas, ainda assim, tristeza. Para me lembrar disto todos os dias. Todos os dias até finalmente perceber que o amor não é tudo e que o amor não pode nada contra alguém que não sabe nem quer aprender a gostar.
O que eu gostava
Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Que há semanas em que me apetece chorar todos os dias. Que às vezes me sinto igual a toda a gente, que não me sinto eu ultimamente, que houve aqui um botão qualquer que se avariou e eu ainda não consegui perceber qual é e não tenho caixa de ferramentas. Gostava de poder pegar no telefone e contar que às vezes soluço como quando era pequena. Que tenho saudades das minhas músicas mas não tenho vontade de as ouvir. Que me sinto cansada e desmotivada mas não há mais nada que eu gostasse de fazer. Gostava de ter coragem para dizer que não me sinto em casa e que apesar de querer construir uma casa demoro tempo a encontrar o meu lugar num lugar diferente do dos últimos 25 anos. Gostava de não sentir que tenho obrigação de parecer feliz todos os dias, que tenho de festejar as datas redondas só porque o calendário diz que sim. Gostava de não estar no meio de sítio nenhum, entre as borboletas e a estabilidade. Gostava de voltar a acreditar. Gostava de sentir que posso ser eu, que posso ter coragem e admitir que ando triste e ninguém vai fugir. Gostava que não se esquecessem das promessas que me fazem e que não se esquecessem de dizer olá de vez em quando. Gostava de ser menos perfeccionista e aliviar um pouco a pressão que ponho sobre mim mesma. Gostava de poder reclamar por a luz estar acesa e isso não fazer de mim uma pessoa chata, apenas presente. Gostava de saltar o Inverno e passar um mês inteiro ao sol. Gostava de conseguir apagar a imagem da minha cadela a morrer, que tanto me tem assombrado nos últimos dias. Gostava de saber o que dizer mais vezes. Gostava que não fosse tão difícil estar de repente com quem me faz falta. Gostava de acreditar que vou voltar a ser optimista. Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Mas se o disser alto passa a ser verdade.
O que eu gostava
Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Que há semanas em que me apetece chorar todos os dias. Que às vezes me sinto igual a toda a gente, que não me sinto eu ultimamente, que houve aqui um botão qualquer que se avariou e eu ainda não consegui perceber qual é e não tenho caixa de ferramentas. Gostava de poder pegar no telefone e contar que às vezes soluço como quando era pequena. Que tenho saudades das minhas músicas mas não tenho vontade de as ouvir. Que me sinto cansada e desmotivada mas não há mais nada que eu gostasse de fazer. Gostava de ter coragem para dizer que não me sinto em casa e que apesar de querer construir uma casa demoro tempo a encontrar o meu lugar num lugar diferente do dos últimos 25 anos. Gostava de não sentir que tenho obrigação de parecer feliz todos os dias, que tenho de festejar as datas redondas só porque o calendário diz que sim. Gostava de não estar no meio de sítio nenhum, entre as borboletas e a estabilidade. Gostava de voltar a acreditar. Gostava de sentir que posso ser eu, que posso ter coragem e admitir que ando triste e ninguém vai fugir. Gostava que não se esquecessem das promessas que me fazem e que não se esquecessem de dizer olá de vez em quando. Gostava de ser menos perfeccionista e aliviar um pouco a pressão que ponho sobre mim mesma. Gostava de poder reclamar por a luz estar acesa e isso não fazer de mim uma pessoa chata, apenas presente. Gostava de saltar o Inverno e passar um mês inteiro ao sol. Gostava de conseguir apagar a imagem da minha cadela a morrer, que tanto me tem assombrado nos últimos dias. Gostava de saber o que dizer mais vezes. Gostava que não fosse tão difícil estar de repente com quem me faz falta. Gostava de acreditar que vou voltar a ser optimista. Gostava de ter coragem para admitir que ando triste. Mas se o disser alto passa a ser verdade.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Correr
Segundo as interpretações de sonhos que andam aí pela internet, correr tem vários significados. Tanto pode ser sinal de felicidade eterna se a pessoa não encontrar obstáculos pela frente (hmmmm, não me parece), como pode ser um bom presságio, se for em direcção a um objectivo. Ora, como as coisas andam, fico-me pela terceira explicação: "Correr para fugir corresponde a uma derrota futura. Indica também a fuga de uma ansiedade causada por distúrbios que não se conseguem vencer."
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Acho que sou o novo Forrest Gump
Só me apetece correr. Tanto que até sonho com isso. E com saltar à corda.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Copeland #4
I found your life in grey and white and never thought I'd color it.
And love put up an awful fight.
You never made your peace with it.
So stay where you are. And hold what you love.
And feel what you want. And know all the while.
Don't hurt 'til it's done.
And love put up an awful fight.
You never made your peace with it.
So stay where you are. And hold what you love.
And feel what you want. And know all the while.
Don't hurt 'til it's done.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Lado B
A Joan as Police Woman escreveu uma canção que se chama "Start of my heart", onde canta sobre alguém que a mudou e que conseguiu acordar-lhe o coração e salvá-la como se ela fosse um origami.
Eu sou o lado B dessa canção. Em vez de start eu sou o end, o off. E a minha folha de papel não deu um origami nenhum nem nada que pudesse ser salvo. Foi passada pela máquina trituradora e só ficaram as tiras. Tiras que vão precisar de muito tempo e vão dar muito trabalho a colar. (Se é que ainda dá para as encontrar e as colar a todas.)
Eu sou o lado B dessa canção. Em vez de start eu sou o end, o off. E a minha folha de papel não deu um origami nenhum nem nada que pudesse ser salvo. Foi passada pela máquina trituradora e só ficaram as tiras. Tiras que vão precisar de muito tempo e vão dar muito trabalho a colar. (Se é que ainda dá para as encontrar e as colar a todas.)
Do livro que estou a ler
"Queria crer que todos tivessem de se estranhar tantas vezes diante do espelho e da vida. Que, para todos, viver também era uma questão de recomeços e recomeços e recomeços. Ou seria uma exclusividade sua? Seria?"
in Suíte Dama da Noite, de Manoela Sawitzki (ed. Cotovia)
in Suíte Dama da Noite, de Manoela Sawitzki (ed. Cotovia)
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