sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lado B

A Joan as Police Woman escreveu uma canção que se chama "Start of my heart", onde canta sobre alguém que a mudou e que conseguiu acordar-lhe o coração e salvá-la como se ela fosse um origami.
Eu sou o lado B dessa canção. Em vez de start eu sou o end, o off. E a minha folha de papel não deu um origami nenhum nem nada que pudesse ser salvo. Foi passada pela máquina trituradora e só ficaram as tiras. Tiras que vão precisar de muito tempo e vão dar muito trabalho a colar. (Se é que ainda dá para as encontrar e as colar a todas.)

Do livro que estou a ler

"Queria crer que todos tivessem de se estranhar tantas vezes diante do espelho e da vida. Que, para todos, viver também era uma questão de recomeços e recomeços e recomeços. Ou seria uma exclusividade sua? Seria?"

in Suíte Dama da Noite, de Manoela Sawitzki (ed. Cotovia)

domingo, 29 de novembro de 2009

Stick Boy & Match Girl In Love

Stick Boy liked Match Girl,
he liked her a lot.
He liked her cute figure,
He though she was hot.
But could a flame ever burn
for a match and a stick?
It did quite literally:
he burned up pretty quick.

in The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories, by Tim Burton (e ai de mim se não vou a Nova Iorque ver a exposição no Moma até final de Abril)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu sabia que o Ikea era muito prático

Só não sabia que a minha vida dos últimos meses cabia toda em meia dúzia daqueles sacos de lona.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Declarações de amor todos os dias

No outro dia estávamos a fazer zapping e apanhámos um bocadinho do filme o Sexo e a Cidade, naquela parte em que a Carrie se vai deitar ao lado do Big e lê algumas cartas do livro Love Letters of Great Men. São cartas desesperadas, com aquele amor de morrer igual ao do Camilo Castelo Branco e que enlouquece homens que nunca imaginaríamos que perdessem minutos a exclamar juras de amor, quanto mais a escrevê-las, como Napoleão ou Beethoven. Nessa cena, a Carrie pergunta ao Big se ele alguma vez lhe escreveu uma carta de amor, ao que ele pergunta se um fax também conta, ainda por cima enviado pela secretária e não por ele. E depois ele diz uma coisa que é acertada, mas que não devia estar correcta: que aqueles homens diziam aquelas coisas porque estavam longe das amadas e os amores eram difíceis. Basicamente, que havia tempo para ter saudades.
Isto deixou-me a pensar nas declarações de amor de todos os dias, e no facto de serem tão raras. As pessoas que se vêem todos os dias tendem a esquecer-se de dizer "amo-te", "adoro-te", "gosto de ti "ou "estás bonita(o)" (e já nem falo de expressões como "minha vida", "meu tudo" e "meu próprio ser", como está nessas cartas). Assumem que por estarem perto todos os dias não é preciso dizer. Que comprar cartões, flores, enviar mensagens românticas ou mandar saudades a meio do dia são gestos só dos primeiros tempos de namoro ou das efemérides, no resto do tempo não são precisos. Como se não fosse necessário cortejar, surpreender e dizer simplesmente que há paixão só porque se vai para a mesma casa ao final do dia, se dorme na mesma cama ou se vai ao supermercado fazer as compras do mês. E não devia ser assim porque o amor de todos os dias é na verdade muito mais complicado do que o amor da distância, das saudades, das cartas apaixonadas.
Viver todos os dias é ver o melhor e o pior. A cara antes da maquilhagem, as olheiras antes do café, o jantar queimado no tacho, o pijama foleiro, o robe de avó e as calças entaladas nas meias quando aperta o frio. É levar com os nervos do dia-a-dia, a gritaria do trabalho ainda a fazer eco em casa, as dúvidas, a depressão de inverno, as manias e tiques e limpezas.
O Byron é que dizia: "é mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela". Porque viver é que é a grande prova. O grande amor. E o que eu quero dizer é: o amor nunca devia ser tomado como um pressuposto - a célebre desculpa "claro que gosto de ti, senão não estava contigo". O amor deve ser dito em voz alta, manifestado em actos loucos e românticos de vez em quando, enviado por mensagem, escrito num telegrama, num espelho, no pó dos móveis, se for preciso. O amor deve ser dito em voz alta mesmo quando se está lado a lado. Mesmo não: sobretudo quando se está ao lado.

domingo, 1 de novembro de 2009

Conversa sobre o clima

Ando como o tempo lá fora. Às vezes quente - parece que o Verão não quer ir embora - às vezes demasiado abafada (sufoco), às vezes a chover cinco dias sem parar. E se a instabilidade do clima lá fora me faz mal à sinusite, imagine-se o que a outra me faz cá dentro.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Outono chegou

E isso não se vê nem pela chuva nem pelas castanhas assadas, mas sim pelo cheiro a naftalina no autocarro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A ervilha

Quando a minha cadela ficou doente e teve de ser operada de urgência, o meu coração ficou do tamanho de uma ervilha.
Agora a minha cadela morreu e nem ervilha, nem noz, nem esparregado de ervilha, nem nada. Não sei descrever como tenho o coração porque a única coisa que sinto é o espaço onde ele estava.
Uma ervilha ao pé disto era uma grande coisa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Desconhecia a rivalidade que há entre o Algarve e Lisboa…

…até assistir a uma discussão entre um louletano e uma lisboeta, e à mínima ele atirar: “Vens para aqui armada em dondoca, vai mas é para Lisboa comer pão no metro.
E agora eu pergunto: a relação entre Lisboa e o metro eu até percebo. Mas a relação entre Lisboa, o metro e comer pão – pão, carcaça, bola, papo-seco, baguete, cacete – essa ultrapassa-me.

Alguém me explica, por favor?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A atenção dos homens quando jogam Playstation

Fomos de férias. Eu, ele, e os nossos animais de estimação: a minha cadela e a Playstation.
Foram umas férias bonitas. Muita praia, muito sol, muito mar e mergulhos intermináveis. Eu, que tenho a mania de que nem gosto lá muito de policiais, atirei-me à trilogia do Stieg Larsson e li novecentas páginas em menos de 15 dias. Ele, que ainda não tem uma consola de jogos porque ainda não temos televisão na casinha nova, agarrou-se à Playstation emprestada pelo meu irmão.
Depois de 15 dias num romântico triângulo amoroso com a Playstation, eu podia chegar aqui e escrever um tratado sobre como os homens não conseguem fazer mais nada quando estão a jogar àquilo. Podia, mas temo que a blogosfera tenha um limite de caracteres por post que não me permita a explanação de toda a minha tese. Por isso conto este episódio, que acaba por conseguir dizer tudo:

É final de tarde, quase noite. Estamos em casa depois de uma tarde passada na praia. Eu saio da casa de banho com o duche já tomado, o creme posto, a franja esticada com o secador. Ele continua a jogar um jogo de corridas de rua, tal e qual como o tinha deixado antes de ir ler para a espreguiçadeira, tomar banho, lanchar e lavar o biquíni. Eu digo:
- Já estou pronta, podes ir à casa de banho.
Ele não responde, fica em silêncio.
Eu espero, até que volto a perguntar:
- Não me estás a ouvir, pois não?
E ele responde:
- Posso.

E com isso diz tudo.
(Mas sim, foram umas belas férias)

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Pina Bausch morreu

Há notícias assim, que nos fazem parar na nossa vida a trezentos à hora e que nos deixam com a necessidade de escrever depois de um longo silêncio. Há notícias assim, só acreditamos nelas quando as dizemos alto ou quando as escrevemos com as nossas palavras. A Pina Bausch morreu. A Pina Bausch morreu. A Pina Bausch morreu. A rainha da dança europeia, a mulher que pôs a alma feminina em palco (e a masculina, e a de toda a gente também), a coreógrafa que percebeu o que o teatro podia dar à dança e o que podiam ser juntos, desapareceu. Não haverá novas criações, não haverá novas surpresas vindas desse lado, porque a Pina Bausch morreu.
Lembro-me de quando escrevi um artigo de fundo sobre ela, toda a gente que a conhecia falou daquela aura pessoal de mistério, que talvez fosse antes de mais timidez, ou reserva. Lembro-me que toda a gente se atabalhoava um pouco na hora de dizer quais eram as suas grandes qualidades, o que só podia ser um sinal da genialidade que ela merecia. Lembro-me, antes de tudo, de a ver dançar em Café Müller, a única peça onde ela entrava (porque de resto ficava sempre nos bastidores), e que no ano passado regressou ao São Luiz. Pina parecia um fantasma, sempre pareceu, muito magra e com o cabelo escorrido até ao fundo das costas. Mas nessa peça em particular, essa fantasmagoria era ainda maior porque ela surgia de braços estendidos, vestida com uma camisa de dormir branca, como se fosse sonâmbula. Lembro-me de pensar nessa altura que o Café Müller era o local mais triste do mundo. Lembro-me que fiquei triste, desolada depois de ver o espectáculo, apesar de na rua estar uma tarde bonita de calor e de o Chiado continuar com a sua vida boémia de sempre.
Nos últimos anos, estava tudo muito mais luminoso, falou-se de uma nova alegria nas peças de Pina Bausch. No Mazurka Fogo, a peça inspirada em Lisboa, a festa que foi quando os bailarinos recriaram o B.Leza em menos de nada. E agora lembro-me do Nelken, e daquele momento em que um bailarino faz o "The Man I Love" em linguagem gestual, tão irónico e comovente ao mesmo tempo. E as músicas que eu descobri por causa das coreografias dela. E... e.. e...
A Pina Bausch morreu.
Escrevi isto tudo e ainda não acredito.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A C. disse que o amor engorda

E é por isso que eu tenho mesmo de começar a fazer dieta. Antes de ficar igual à Beth Ditto.

terça-feira, 17 de março de 2009

A Mônica cresceu

E eu ainda estou em estado de choque. A Mônica dentuça cresceu. Não perdeu as dentuças mas perdeu a graça. já não tem o vestidinho vermelho nem a "gorduchice", tem um guarda roupa interminável e problemas de adolescente. O Cebolinha tornou-se Cebola e já não conta os cinco cabelos no meio de uma trunfa copiada da BD japonesa. A Magali tem maminhas e está irreconhecível. E o Cascão - sacrilégio dos sacrilégios - agora toma banho de vez em quando.
Eu ainda estou em estado de choque porque se havia uma coisa certa nesta vida é que nós crescemos, os nossos problemas crescem com os cabelos brancos e as primeiras rugas, mas a Turma da Mônica não, porque é uma personagem de banda desenhada e na banda desenhada o tempo não existe.
Eu não estava preparada para perder mais uma certeza entre tantas já perdidas. E não estava preparada, oh Maurício de Sousa, para isto: uma turma que, em vez de fazer a sua vida à volta dos nós nas orelhas do Sansão e das invenções do Franjinha, agora se preocupa com a moda, os amores, o período ou as gravidezes precoces.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Trinta anos

O meu irmão faz trinta anos depois de amanhã. O meu irmão tem mais quatro anos do que eu, e eu ainda me lembro de quando lhe entrava pela sala de aula dentro, ele já na primária com cadernos a sério e letras e números a sério e eu ainda de bata do infantário, e dizia alto e bom som: “Tenho chichi, leva-me à casa de banho”, para gozo dos colegas e enorme vergonha dele.
Ainda me lembro de quando andei à pancada com uma namorada dele, na colónia de férias, porque ela era uma parva e ele merecia muito melhor. (acabei no chão, ao lado da mesa de matraquilhos com um joelho esfolado e o orgulho ainda pior).
Ainda me lembro quando uma castanha assada lhe rebentou nas mãos e ele ficou com as migalhas todas coladas aos óculos e eu ri-me às gargalhadas quando ele os tirou e ficou com dois espaços brancos todos limpos e o resto de cara cheio de papa.
Ainda me lembro das primeiras noites em que saí, e de ele me ir buscar – à falta de um pai que o fizesse – à porta do rockline, com olhos de sono mas sem se queixar.
Lembro-me dos segredos que me guardou e dos ralhetes que me deu.
Lembro-me de andarmos a apanhar ondas na praia, e ainda hoje sei que não tenho medo do mar porque o mar sempre foi uma brincadeira de crianças.
Lembro-me que ele me roubava o MEU colchão das tartarugas ninja.
Lembro-me que ali pelos 12, 13 anos, ele era completamente insuportável.
Lembro-me das paralíticas nos braços e nas pernas, e das dentadas que eu lhe dava em resposta, já que quase nem me conseguia mexer.
Lembro-me do Castelo do He-man e de discutirmos por causa dos GI Joe.
Lembro-me que não percebia porque é que eu havia de brincar com os Transformers dele e ele não havia de brincar com as minhas Barbies.
Lembro-me de quando ficámos fechados na rua, de pijama, só porque queríamos ver os Thundercats e com a pressa nos esquecemos da chave dentro de casa.
Lembro-me da fase filosófica que lhe deu (também insuportável), em que não nos podíamos sentar à mesa sem que ele perguntasse: “Porque é que o jarro se chama jarro? Porque é que a laranja se chama laranja e não jarro? Porque é que o jarro não se chama copo?”, e por aí fora (é fácil de imaginar).
Lembro-me de mil coisas, trinta vezes trinta, vezes trinta, vezes trinta, vezes trinta…

O meu irmão faz trinta anos depois de amanhã. Trinta anos. Mais dezoito desde a fase em que era insuportável. Mais doze desde a altura em que me ia buscar à noite. Mais vinte desde que engolíamos pirolitos na praia...
Porra que o tempo não pára.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Schhhhh

Ando calada. Muito calada. Os meus textos são poucos e têm poucas linhas. No dia-a-dia, falo pouco do meu amor e desta sensação de acordar feliz, adormecer feliz e viver feliz. Eu, que sou toda dos espalhafatos e das certezas e dos sorrisos do tamanho de janelas, ando sossegada, discreta, uma calmaria enorme como se a minha vida não tivesse as faíscas que tem. Se me perguntarem que tal o dia, que tal ando eu, é mais provável que me saia um sussurro
-estou feliz
do que um grito
-ESTOU TÃO FELIZ!
mesmo que cá por dentro esteja tudo aos gritos, mesmo que o tamanho da minha felicidade seja maior do que as maiores maiúsculas do mundo. Ou então por causa disso.
Sim, ando silenciosa porque isto do amor subiu-me mesmo à cabeça, como dez cocktails bebidos de seguida. Estou parva, trôpega e circunspecta porque cá dentro está tudo cheio, está tudo aos gritos, está tudo parvo e peganhento e apaixonado. Até perceber como é que uma coisa destas me foi acontecer, até perceber como é que o meu mundo cinzento ficou cor-de-rosa e vermelho tão de repente, vou ficando assim.

Dia dos Namorados

Não fomos a restaurantes românticos, não fomos ver filmes românticos. Fomos jantar ao Alegro e ver molduras e candeeiros no Ikea.
E foi um belo Dia dos Namorados.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O que é que fazemos...

... quando alguém de quem gostamos muito nos diz “estou triste”?

Porque é que não é tão simples como
"tenho frio"
e oferecer uma camisola?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Miss Van

A Miss Van tem uma exposição nova, desta vez em São Francisco. Gosto do título, "Still A Little Magic"
E gosto do que já vi.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"A" surpresa

Os ténis mais bonitos e mais difíceis de arranjar do mundo, numa caixa tão bem embrulhada, só porque sim.


*Reebok Freestyle Cities World Tour Collection: Paris*

Estado em que se encontra este blogue (e a autora deste blogue)

calado
parvo
a ouvir Billie Holiday em repeat
apaixonado
a fazer quilómetros ao frio para lhe oferecer um fondue de chocolate
feliz
com mil sonhos para este ano
com medo deste ano
ansioso
às vezes incrédulo
a esticar o ordenado estourado em Barcelona
viciado
com 15 livros na mesa de cabeceira
farto do frio
a ferver